Inquérito da ONU vai focar em áreas ocupadas pela Rússia

Conselho de Direitos Humanos aprovou resolução contra Moscou

Corpos retirados de vala comum em Bucha, perto de Kiev
Corpos retirados de vala comum em Bucha, perto de Kiev (foto: ANSA)
14:48, 12 MaiGENEBRA ZLR

(ANSA) - O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quinta-feira (12) uma resolução para investigar supostos crimes cometidos em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia entre fevereiro e março.

O texto recebeu 33 votos a favor e apenas dois contrários, além de 12 abstenções, evidenciando o isolamento de Moscou nos organismos internacionais. Apenas China e Eritreia rejeitaram a resolução - a Rússia tinha assento no conselho, mas se retirou após ter sido suspensa, no início de abril.

"Essas têm sido 10 semanas de puro horror para o povo do meu país. Torturas e desaparecimentos forçados, violência sexual e de gênero, a lista de crimes da Rússia é interminável. Apenas a solidariedade do mundo com o povo ucraniano pode derrotar esse mal puro", disse a vice-ministra das Relações Exteriores ucraniana, Emine Dzhaparova, em discurso em vídeo.

Em março passado, o Conselho de Direitos Humanos já havia aprovado uma comissão de inquérito para apurar supostos crimes da Rússia durante a invasão.

Já a resolução desta quinta determina que a investigação priorize "os eventos ocorridos nas regiões de Kiev, Chernihiv, Kharkiv e Sumy entre o fim de fevereiro e março".

Essas regiões chegaram a ser parcialmente ocupadas pela Rússia, mas foram libertadas a partir do fim de março, quando Moscou decidiu concentrar suas tropas na conquista do Donbass, área do leste da Ucrânia onde ficam os territórios separatistas de Donetsk e Lugansk.

Desde então, as autoridades ucranianas já denunciaram diversos indícios de crimes de guerra e contra a humanidade em cidades como Borodyanka, Bucha e Irpin, onde foram encontrados corpos jogados nas ruas, cadáveres com sinais de tortura e valas comuns com dezenas de mortos.

"O alcance dos assassinatos, incluindo os indícios de execuções sumárias nas áreas ao norte de Kiev, é chocante", afirmou a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

A resolução também pede para o comitê reportar os avanços do inquérito em setembro e concluir seu relatório até março de 2023. A Rússia alega que a decisão do Conselho de Direitos Humanos é uma ação "política" para "demonizar" o país. (ANSA)

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