Crise diplomática entre EUA e China tem novos capítulos

Debate militar foi suspenso; embaixador chinês foi convocado

China cortou conversas bilaterais com EUA em assuntos militares, segurança marítima, entre outros
China cortou conversas bilaterais com EUA em assuntos militares, segurança marítima, entre outros (foto: ANSA)
08:35, 05 AgoPEQUIM ZGT

(ANSA) - A visita da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan durante essa semana continua a ter reflexos nas relações diplomáticas entre norte-americanos e chineses.

Nesta sexta-feira (5), a Casa Branca convocou o embaixador chinês em Washington, Qin Gang, para condenar formalmente a escalada das ações de Pequim contra o território, com uma intensificação dos exercícios militares, e para reafirmar que os EUA não querem uma crise na região.

A notícia foi confirmada pelo porta-voz do Departamento de Defesa, John Kirby, que falou em "ações provocatórias".

Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores da China anunciou uma série de contramedidas por conta da visita de Pelosi, entre elas, estão a suspensão dos vários mecanismos de comunicação e de cooperação China-EUA, incluindo o diálogo entre líderes militares, e as conversas sobre os mecanismos de segurança marítima. Também foram incluídas suspensões nos debates de cooperação antidrogas, crimes transnacionais e migração ilegal.

Em sua coletiva diária com a imprensa, uma das porta-vozes da pasta, Hua Chunyng, disse que a questão que envolve Taiwan "não é uma questão democrática, mas uma questão de princípios importante sobre soberania e integridade territorial da China".

Novamente, o governo de Pequim afirmou que a situação atual "foi inteiramente provocada por Pelosi e pelos políticos norte-americanos".

"A parte norte-americana deve pensar de maneira diferente. Se um estado qualquer nos EUA busca se separar do país e se afirmar como nação, enquanto um outro país continua a fornecer armas e apoio político, o governo e o povo dos EUA podem permitir isso?", disse Hua, sem citar, porém, que Pequim nunca controlou politicamente Taiwan.

Além disso, o governo chinês anunciou sanções diretas contra Pelosi e seus familiares, sem especificar as medidas. Para Pequim, em nota oficial, a visita da democrata "interferiu gravemente nos assuntos internos da China" e "ameaçou gravemente a soberania e a integridade territorial" do país.

Exercícios militares

Envolvido diretamente na polêmica, o Ministério da Defesa de Taiwan publicou mais um relatório sobre os exercícios militares chineses, que circundam toda a ilha, e afirmou que os aviões e navios de guerra atravessaram a "linha que divide" o estreito entre os dois territórios.

Para a pasta, as operações são "altamente provocatórias" e a quantidade de veículos militares que violaram a área "continua a aumentar".

Até às 17h (hora local), o Ministério da Defesa informou que 68 caças militares e 13 navios de guerra chineses atravessaram a linha que separa os dois territórios pelo Estreito.

A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, chamou de "irresponsável" as manobras militares na região por conta da visita de Pelosi.

Em um vídeo de cerca de quatro minutos, Tsai pediu que Pequim aja com mais "autocontrole" e convidou Pequim para o diálogo. "Nos esforcemos em manter o status quo através do estreito com uma mente sempre aberta para diálogos construtivos", acrescentou.

Reações

Nesta sexta-feira, no segundo dia de reuniões da Asean, o secretário norte-americano de Estado, Antony Blinken, voltou a dizer que as ações militares da China "são clamorosamente provocatórias" e que os EUA não querem nenhuma mudança no status quo de Taiwan.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a visita de Pelosi foi uma "provocação" que "não pode ficar sem consequências" e que a China "está adotando legitimamente uma ação para proteger sua soberania".

A empresa aérea Singapore Airlines anunciou nesta sexta o cancelamento de seus voos de e para Taiwan por conta das "crescentes restrições do espaço aéreo" provocadas pelos exercícios chineses.

"A segurança dos nossos passageiros e dos nossos funcionários são nossa prioridade", informou a companhia ao portal "CNA Asia". (ANSA).
   

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