Vaticano prende padre por vazar documentos

Além dele, um membro de comissão sobre atividades econômicas também foi preso

Vaticano prende duas pessoas por vazamento de documentos (foto: Ansa)
21:07, 03 NovCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - As autoridades vaticanas anunciaram a detenção do monsenhor espanhol Angel Vallejo Balda e de Francesca Immacolata Chaouqui pelo vazamento de documentos confidenciais da Santa Sé nesta segunda-feira (02).

 

 

O monsenhor Balda já atuou como secretário da Prefeitura de Assuntos Econômicos e na Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas da Santa Sé (Cosea) - criada pelo papa Francisco em 2013 para monitorar as contas vaticanas. Já Chaouqui também já foi membro da Cosea e, após a confirmação da detenção, ela foi posta em liberdade. Atualmente, nenhum dos dois estavam nessas funções.

 

 

A ANSA apurou que o Pontífice foi informado dos procedimentos e que deu sua aprovação às detenções.

 

 

Em comunicado, o Vaticano afirmou que as prisões são resultado das "investigações da polícia judicial da Germandería vaticana" que ocorrem "há alguns meses" por causa da "subtração e divulgação de notícias e documentos reservados". Ainda de acordo com a entidade, ambos foram interrogados "com base nos elementos recolhidos e das evidências obtidas" durante o período de averiguações.

 

 

A Igreja Católica ainda lembrou, na mesma nota, que "a divulgação de notícias e documentos reservados é um crime previsto na Lei nº IX do Estado da Cidade do Vaticano (13 de julho de 2013), artigo 10".

 

 

O novo escândalo de divulgação de documentos sigilosos estourou no último dia 31 de outubro, quando o jornalista italiano Luigi Bisignani revelou em seu programa televisivo que o computador do revisor geral da Santa Sé, Libero Milone, fora violado. Milone, 67 anos, é o profissional escolhido por Jorge Mario Bergoglio para supervisionar todas as contas, balanços e orçamentos dos organismos e escritórios da Igreja Católica.

 

 

O episódio fez com que a instituição revivesse o clima do "Vatileaks", de 2012, quando documentos sigilosos vazaram e abalaram o Pontificado de Bento XVI. Na época, o mordomo Paolo Gabrieli foi preso e o Joseph Ratzinger renunciou no início de 2013.

 

 

Segundo fontes, foi o próprio Milone quem fez a denúncia de violação à Gendermaría há cerca de duas semanas. O supervisor tem ampla carreira no setor, já tendo trabalhado para as empresas Deloitte Touche, Fiat e Indesit.

 

 

Atualmente, há um clima conflituoso no Vaticano pelo controle das finanças entre a Secretaria para a Economia, chefiada pelo cardeal australiano George Pell, e a secretaria de Estado, liderada pelo cardeal italiano Pietro Parolin.

 

 

Esses documentos devem ser divulgados por dois livros que serão lançados nos próximos dias na Itália: o "Via Crucis", de Gianluigi Nuzzi, e o "Avarizia", de Emiliano Fittipaldi. As publicações são consideradas um ataque direto contra o papa Francisco e todas as reformas que ele propõe para a Igreja Católica.

 

 

A Santa Sé também comentou sobre essas publicações e afirmou que elas são frutos de "traição" ao Pontífice. "Quanto aos livros anunciados para os próximos dias, dizemos claramente que eles são frutos de uma grave traição da confiança acordada com o Papa e, naquilo que reguarda os autores, de uma operação para tirar vantagem de um ato gravemente ilícito de obtenção de documentação reservada", afirmou em nota. Segundo a entidade, está em estudo quais medidas jurídicas que serão tomadas.

 

 

"Publicações desse tipo não dão, de modo algum, a clareza e a verdade, mas sim geram confusão e interpretações parciais e tendenciosas. É preciso evitar o equívoco de pensar que elas são uma maneira de ajudar na missão do Papa", conclui a nota. http://www.papafrancesconewsapp.com/por

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