Em meio a denúncias, Papa aumenta tom contra corrupção

Francisco reconheceu "tentação", mas criticou sacerdotes

Em meio a denúncias, Papa aumenta tom contra corrupção
Em meio a denúncias, Papa aumenta tom contra corrupção (foto: ANSA)
20:51, 06 NovCIDADE DO VATICANO ZBF

(ANSA) - Em meio a uma série de escândalos que estão balançando os pilares do Vaticano, o papa Francisco afirmou que "sempre há tentação pela corrupção", em uma entrevista concedida ao jornal holandês "Straatnieuws" e divulgada nesta sexta-feira (6) pela Rádio Vaticano.

 

"Há sempre a tentação pela corrupção na vida pública, tanto política quanto religiosa", afirmou o líder da Igreja Católica. Comentando sobre filiações e tratados com partidos ou governos, Francisco reconheceu que não são ilícitos, mas que é preciso ter cautela.

 

"É possível fazer acordos com governos, mas devem ser acordos claros, transparentes. Por exemplo, nós gerenciamos este prédio, mas as contas são controladas para evitar corrupção", disse. A entrevista do argentino Jorge Mario Bergoglio vem um dia após o lançamento de dois livros que denunciam segredos e escândalos financeiros do Vaticano.

 

"Avarizia" (Avarez, na tradução) e "Via Crucis", dos jornalistas Emiliano Fittipaldi e Gianluigi Nuzzi, já se esgotaram em várias livrarias da Itália e estão sendo chamados de "Valileaks 2", em referência ao vazamento de dados sigilosos da Santa Sé em 2012 e o qual contribuiu para a saída de Bento XVI.

 

"Avarizia" afirma que milhares de euros foram gastos em voos de classe executiva, roupas sob medida e móveis finos no Vaticano, enquanto, por outro lado, Francisco tentava instaurar reformas financeiras na cúria e pregar um discurso de simplicidade. Ainda segundo o livro, a Santa Sé gerencia dezenas de imóveis na Itália, no Reino Unido, na França e na Suíça. Somente em Roma, seriam cerca de cinco mil aparamentos.

 

Já "Via Crucis" relata as dificuldades enfrentadas pelo Papa para reformar o Vaticano. Citando documentos inéditos, Nuzzi conta os ataques de Francisco contra dirigentes de setores financeiros.

 

Além disto, nesta semana, veio à tona a denúncia que o cardeal Tarcisio Bertone, ex-secretário de Estado do Vaticano, teria usado recursos da Fundação Menino Jesus, que administra um hospital pediário em Roma, para reformar o apartamento cobertura em que vive.

 

Nesta manhã, durante a tradicional missa na residência de Santa Marta, Francisco também afirmou que "existem pessoas que, em vez de servir e pensar nos outros, servem-se da Igreja, 'escalam' [na carreira] e são presos ao dinheiro". "Quantos sacerdotes já vimos assim, né? É disse triste dizer", criticou, aumento o tom.

 

"Quando a Igreja se fecha em si mesma, age como empresária, não está ao serviço dos outros", argumentou o Papa, pedindo a Deus para dar forças para as pessoas "andarem sempre adiante, renunciamento às próprias comodidades e se salvando das tentações".(ANSA) http://www.papafrancesconewsapp.com/por

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