Padre se sentia 'ameaçado' por repórteres do 'Vatileaks'

No entanto, monsenhor disse que não houve ameaças concretas

Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, os jornalistas acusados no processo 'Vatileaks 2'
Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, os jornalistas acusados no processo 'Vatileaks 2' (foto: ANSA)
12:25, 17 MarCIDADE DO VATICANO ZLR

(ANSA) - Após ter admitido o vazamento de documentos sigilosos sobre as contas do Vaticano, o monsenhor espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda disse que temia ser "ameaçado" pelos jornalistas Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, autores de livros sobre escândalos financeiros da Igreja.

 

A declaração foi dada na última terça-feira (15), durante uma das audiências do processo "Vatileaks 2". "Eu interpretei algumas palavras de Fittipaldi como se ele soubesse sabe-se lá quantas coisas sobre mim, então temi ser chantageado", declarou Balda, respondendo a uma pergunta da advogada do repórter citado, Lucia Musso.

 

No entanto, pressionado pela defesa dos dois jornalistas, ele ressaltou que "não houve ameaças diretas e concretas". "Eu diria que me sentia ameaçado", explicou o monsenhor, desta vez respondendo ao advogado de Nuzzi, Roberto Palombi.

 

Segundo ele, sua situação era de "ansiedade", levando-o a interpretar os pedidos dos repórteres por documentos sigilosos de um modo que o fazia "sentir medo de perguntar". Balda era da Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas do Vaticano (Cosea), órgão criado pelo papa Francisco em 2013 para monitorar as finanças da Santa Sé, porém já dissolvido.

 

Ele é acusado de formação de quadrilha e "subtração e difusão de notícias e documentos reservados". Já Nuzzi e Fittipaldi respondem apenas pela difusão desses arquivos, tida pelo Vaticano como ilegal. Nesta quarta-feira (16), os dois disseram que as recentes declarações do monsenhor deveriam provocar a retirada das acusações contra eles, já que comprovam que o religioso não foi ameaçado. (ANSA)

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