Durante Jubileu, Papa exaltou pobres, imigrantes e excluídos

Pontífice ainda incentivou ecumenismo e proteção da natureza

No Jubileu, Papa demonstrou proximidade aos mais pobres e aos excluídos pela sociedade
No Jubileu, Papa demonstrou proximidade aos mais pobres e aos excluídos pela sociedade (foto: ANSA)
08:49, 21 NovSÃO PAULO Por Tatiana Girardi

(ANSA) - Nos quase 350 dias de Jubileu da Misericórdia, o papa Francisco fez dezenas de gestos simbólicos para aproximar-se dos mais pobres e dos excluídos pela sociedade.

 

A começar pela abertura da primeira Porta Santa.  Tradicionalmente, a abertura do evento ocorre na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Mas, com sua meta de descentralizar a Igreja Católica, o Pontífice fez uma abertura "informal" em Bangui, na República Centro-Africana, no dia 29 de novembro.

 

A 10 dias da abertura oficial do Ano Santo Extraordinário, ocorrido no dia 8 de dezembro, Jorge Mario Bergoglio aproveitou sua viagem pela África para abrir um dos eventos mais importantes da instituição católica.

 

Na abertura oficial, em 8 de dezembro, o Papa autorizou o evento "Fiat Lux", em que imagens de animais e de pessoas de vários países do mundo foram projetadas nas paredes dos prédios da Praça São Pedro, em mais um evento para lembrar da importância de cuidar da natureza e das "criaturas de Deus", tema muito caro ao Pontífice. Vale lembrar ainda sua preocupação com seu antecessor, Bento XVI, que foi um dos primeiros a atravessar a Porta Santa do Vaticano.

 

Um dos eventos mais marcantes, no entanto, foi a canonização de Madre Teresa de Calcutá, ocorrido no dia 4 de setembro, e que reunião milhões de pessoas na Praça São Pedro.

 

Imigrantes

 

Mostrando sua preocupação com os imigrantes e com os mais pobres, Francisco abriu pessoalmente a Porta Santa da ONG católica Caritas em Roma. Em outro gesto em favor dos deslocados, a cerimônia do Lava Pés foi feita com pessoas de todo o mundo que chegaram à Itália através da travessia do Mar Mediterrâneo.

 

Na luta pela proteção dos imigrantes, o Papa celebrou uma missa em Ciudad Juárez, na fronteira entre o México e os Estados Unidos, para lembrar o drama da imigração.

 

Ao lado do patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, Bergoglio celebrou uma missa na ilha grega de Lesbos, uma das principais entradas dos imigrantes ilegais na Europa. Além de rezar no local, o líder católico voltou para o Vaticano com famílias sírias que estavam aguardando asilo na Europa - em gesto que foi repetido nos meses posteriores.

 

Celebrações especiais

 

Entre 8 de dezembro e 20 de novembro, o sucessor de Bento XVI fez celebrações especiais voltadas para os mais diferentes tipos de públicos.

 

Houve celebrações com empresários, com esportistas, com as mulheres, com as congregações religiosas, com os jovens - quando apareceu de surpresa em um praça para confessar os adolescentes -, com os sem-teto, com os doentes e com os idosos. O Papa chegou até a acariciar um tigre durante o Jubileu para os artistas de circo no Vaticano.


Reforçando sua preocupação com os presidiários, o Papa fez também uma celebração especial para eles no Vaticano e ressaltou a importância do perdão na vida dos cristãos.


Ecumenismo e viagens internacionais

 

Durante o evento, o Papa também incentivou a união das mais diferentes vertentes religiosas. Ele visitou a Sinagoga de Roma, em janeiro deste ano, teve um encontro com o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, em Cuba, em um abraço que marcou a reaproximação entre as duas instituições após mais de mil anos.


Em mais um gesto de aproximação, desde um incidente com o papa emérito Bento XVI, Bergoglio se encontrou com o líder sunita da mesquita de al-Azhar, o imã Ahmed al-Tayeb.


Também voltou a se envolver em uma polêmica com a Turquia, por chamar de "genocídio" a morte de milhares de armênios no início do século passado. Em visita à Armênia, o Papa escreveu no memorial do genocídio.


Um dos pontos altos do Jubileu foi a visita do papa Francisco aos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, na Polônia, onde pediu "perdão" por tanta crueldade no mundo. A Polônia também marcou a segunda participação do Pontífice na Jornada Mundial da Juventude, ocorrida em Cracóvia.


Ainda no ecumenismo, ele o Santo Padre participou do evento inter-religioso em Assis, que marcou os 30 anos da primeira aproximação oficial da Igreja Católica com religiões e crenças de todo o mundo.

 

No fim de setembro, ele se reuniu com membros da comunidade ortodoxa da Geórgia em uma comovente oração pela paz no Iraque e na Síria. Poucos dias depois, ele foi ao Azerbaijão onde rezou na mesquista de Baku ao lado do grã-mufti Allahshukur. No fim de outubro, mais um gesto em prol da união religiosa.

 

Francisco tornou-se o primeiro Papa a participar das celebrações pela Reforma Protestante em Lund, na Suécia. Na ocasião, eram celebrados os 500 anos da separação entre luteranos e católicos.

 

Visitas surpresa

 

Durante algumas sextas-feiras do Jubileu, o Papa Francisco fez diversas visitas surpresas a instituições italianas. Ele participou de um evento pelo Dia Mundial da Terra, onde falou sobre a importância da preservação do meio-ambiente, encontrou-se com padres em Assis, com ex-padres em Roma e visitou idosos em um asilo da capital italiana. Ele ainda visitou uma UTI neo-natal em Roma e encontrou com familiares dos bebês que lutam pela vida.


Um dos momentos mais marcantes, no entanto, foi um encontro com ex-prostitutas em Roma, onde pediu "perdão" pela Igreja para as mulheres vítimas de exploração sexual.


Amoris laetitia

 

Lançada em 8 de abril, a exortação abre mais espaço para os divorciados e prega respeito aos homossexuais. Sobre o primeiro ponto, o Papa diz que é "importante deixar as pessoas que vivem uma nova união saberem que são parte da Igreja, que não estão excomungadas", acrescentando que "ninguém pode ser condenado para sempre, pois esta não é a lógica do Evangelho".

 

Já sobre os gays, o Pontífice pede que a Igreja não os discrimine, mas que o casamento entre as pessoas do mesmo sexo não está "no desenho de Deus". O Papa ainda fala sobre a sexualidade, definindo- a como "um presente maravilhoso de Deus". O documento também apresenta críticas formais ao aborto e a eutanásia, ambos considerados "errados" pelo líder católico bem como critica as famílias que tem "procriação ilimitada".

 

Jorge Mario Bergoglio ainda defende as mulheres na exortação, daquelas que são vítimas de "violência física e sexual", defendendo de certa maneira que elas se separem do cônjuge, e pede mais ação para a proteção delas. Segundo o líder católico, a violência no casamento "contradiz a própria natureza da união conjugal".

 

Além disso, o argentino pede uma "saudável autocrítica" do porquê os casamentos religiosos não serem mais "atraentes" para muitas pessoas e pediu o fim da "idealização excessiva" do matrimônio. Em diversos pontos do documento, Bergoglio usa e cita como base textos de João Paulo II sobre a família, reafirmando a importância deles para a Igreja. O documento foi duramente criticado por cardeais conservadores.    (ANSA)

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