Consultora acusada no Vatileaks 2 critica Papa em nova carta

Francesca Chaouqui pediu "um basta à caça as bruxas"

Consultora acusada no Vatileaks 2 critica Papa em nova carta (foto: ANSA)
18:11, 28 FevROMA ZAR

(ANSA) - A consultora ítalo-marroquina Francesca Immacolata Chaouqui, que foi condenada a 10 meses de prisão no processo de vazamento de documentos da Santa Sé, o "Vatileaks 2", mas cuja pena está suspensa, escreveu mais uma carta aberta ao papa Francisco, na qual pede para que a "caça às bruxas" tenha um fim.

"Peço-te humildemente, da filha ao próprio pai de qual recebeu chibatadas, de dar um basta à caça às bruxas, de me deixar viver em paz a minha maternidade, de me deixar continuar a trabalhar [...] pelo respeito que devo a Pietro Elijah Antonio, meu filho que no meu ventre quase morreu no local onde nos fecharam [salas de interrogatórios] pela sua vontade", afirmou a consultora no texto divulgado pelo jornal "Libero".

"Não me deixe ir parar na prisão porque eu não escaparei, deverão me prender com o meu filho", afirma Chaouqui, que também diz que "se for preparado o pedido de extradição à Itália [...] saiba que não esperarei a resposta do Estado italiano, me apresentarei com o meu filho Pietro na Gendarmeria".

"Um dia você [Francisco] me disse que foi um erro me indicar à [Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas do Vaticano] Cosea. Tinha razão, foi um erro enorme. Eu o entendi na minha pele e te pergunto se você não se sente responsável não apenas à Igreja e ao mundo, mas também a mim pelo peso insuportável que me fez carregar, talvez por uma questão de imagem: mulher, jovem, nascida em uma família pobre", disse a ítalo-marroquina.

"Passou um ano desde que te escrevi pela última vez. Pedia a você para me defender no processo de vazamento de documentos no qual fui acusada no Vaticano. Você não o fez. Eu estava grávida, estava assustada, estava sozinha", afirmou Chaouqui ao Papa na carta.

"Naqueles dias, eu me perguntava o que aconteceria da minha vida e da do meu filho, se ele nascesse, enquanto você deixava de fato torturar uma grávida. Perguntava-me o que verdadeiramente era para você a misericórdia enquanto a minha vida era destruída a golpes de mentiras nas primeiras páginas da imprensa de todo o mundo", concluiu a consultora do Vaticano. (ANSA)

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