Papa volta a condenar muro de Trump na fronteira com México

Em entrevista,Francisco comparou a barreira com o muro de Berlim

Papa volta a condenar muro de Trump na fronteira com México (foto: AP)
07:51, 29 MaiCIDADE DO VATICANO ZCC

(ANSA) - O papa Francisco voltou a criticar a ideia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de construir um muro na fronteira com o México, afirmando que é errado separar famílias e ressaltando que a defesa dos migrantes é uma "prioridade" para o seu pontificado.

Durante uma longa entrevista à rede mexicana Televisa, exibida na noite desta terça-feira (28), o Pontífice também falou sobre a situação das mulheres no mundo e os casos de abuso sexual na Igreja Católica.

"Não sei o que está acontecendo com esta nova cultura de defender territórios construindo muros. Já conhecemos um, aquele em Berlim, que trouxe tantas dores de cabeça e tanto sofrimento", disse.

Segundo o líder da Igreja Católica, o ato de "separar crianças dos pais vai contra a lei natural". "É cruel. Está entre as maiores crueldades. E para defender o quê? Territórios, ou a economia de um país o sabe lá o quê".

Na entrevista dada à Valentina Alazraki, principal jornalista mexicana sobre Vaticano, Jorge Bergoglio ressaltou que este tipo de política é "muito triste".

"O homem é o único animal que cai duas vezes no mesmo buraco. Voltamos à mesma coisa, construir muros como se fosse a defesa, quando a defesa é o diálogo, o crescimento, a acolhida, a educação e integração", observou.

Nesse sentido, quando questionado sobre o que diria a Trump se tivesse frente a frente com ele, o Papa respondeu que falaria "a mesma coisa".

"A mesma coisa, porque eu digo isso publicamente. Eu já disse que quem constrói muros termina prisioneiro dos muros que constrói", afirmou.

O Papa ainda lembrou que "na atividade política mundial há algo que não funciona e acredito que a base seja o mau tratamento ambiental e o abuso econômico".

"Toda a fortuna está concentrada em grupos muito pequenos em relação aos outros. E os pobres são mais. Então, é claro: os pobres buscam fronteiras, buscam novos horizontes", disse.

Desde o ano passado, Francisco tem criticado a política do presidente dos EUA de separar crianças de seus pais que entraram ilegalmente em seu país pela fronteira com o México. Na ocasião, a medida foi revertida após polêmicas.

Já em relação à violência contra a mulher e o crescente número de feminicídios, Jorge Bergoglio afirmou que "o mundo não funciona sem a mulher". "Não porque é ela que traz os filhos, deixemos a procriação de lado. Uma casa sem a mulher não funciona", assegurou.

Falando sobre as denúncias de abusos, o Santo Padre admitiu erros na gestão do escândalo de pedofilia cometido pelo clero no Chile e afirmou que não recebe todas as informações. "Nem sempre é por corrupção, às vezes é o estilo da cúria, mas é um estilo que tem que ajudar a corrigir", admitiu. (ANSA)

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