Vaticano é readmitido em grupo de inteligência financeira

País havia sido suspenso pelo Egmont em novembro passado

Cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano
Cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano (foto: ANSA)
14:48, 23 JanCIDADE DO VATICANO ZLR

(ANSA) - Envolvido nos últimos anos em escândalos de lavagem de dinheiro, o Vaticano foi readmitido no Grupo de Egmont, um consórcio que reúne órgãos de inteligência financeira de mais de 160 países e territórios.

A Autoridade de Informações Financeiras (AIF) do Vaticano faz parte da entidade desde julho de 2013, mas havia sido suspensa em novembro de 2019, o que colocara em xeque as medidas tomadas pelo papa Francisco para combater a lavagem de dinheiro.

"Estou feliz em anunciar que, na noite de ontem [22], o presidente do Egmont, Mariano Federici, revogou a decisão de suspender a AIF do circuito informativo internacional 'Egmont Secure Web'. Trata-se de uma decisão de grande importância, que testemunha a confiança do Egmont no sistema de informações financeiras do Vaticano", disse o presidente da AIF, Carmelo Barbagallo.

Com isso, o menor país do mundo volta a ter acesso a uma rede segura de informações sobre lavagem de dinheiro, financiamento de grupos terroristas e fraudes fiscais, entre outros crimes financeiros. Segundo Barbagallo, o Vaticano enviou ao Egmont esclarecimentos sobre os fatos que haviam provocado a suspensão.

Um mês antes de perder o acesso à rede, o Vaticano havia sido chacoalhado por um novo escândalo financeiro, com a suspensão de cinco funcionários suspeitos de envolvimento em operações imobiliárias irregulares.

O inquérito envolveu uma operação de busca e apreensão nos escritórios da AIF, levantando suspeitas no Egmont sobre a capacidade de o país manter o sigilo de relatórios de inteligência financeira.

Entre os investigados está o diretor da AIF, Tommaso Di Ruzza, e o inquérito apura um investimento de US$ 200 milhões em um edifício residencial em Londres, dinheiro que teria saído do Óbolo de São Pedro, sistema de arrecadação de donativos da Igreja Católica.

O próprio Papa admitiu o escândalo e disse que há indícios de corrupção no caso, que também custou o cargo do então comandante da Gendarmaria do Vaticano, Domenico Giani, acusado anonimamente de vazar informações sobre o inquérito para a imprensa. (ANSA)

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