Comissão acusa cardeal de acobertar abusos desde 1973

George Pell teve pena por pedofilia anulada recentemente

Cardeal Pell teve a sentença por pedofilia anulada em processo na Austrália recentemente
Cardeal Pell teve a sentença por pedofilia anulada em processo na Austrália recentemente (foto: EPA)
12:49, 07 MaiSYDNEY ZGT

(ANSA) - Um relatório da Royal Commission, da Austrália, acusou o cardeal católico George Pell de acobertar denúncias de abusos sexuais de padres desde a década de 1970.

Segundo o grupo, as informações estão no relatório finalizado em 2017, mas só foram tornadas públicas agora para que elas não afetassem a análise dos juízes australianos durante o julgamento do prelado em outra acusação, por pedofilia.

No dia 7 de abril, a Alta Corte do país anulou a condenação a seis anos de prisão contra Pell por considerar que o depoimento de apenas uma pessoa não era prova cabal para a sentença.

O documento divulgado afirma que o ex-tesoureiro do Vaticano "desde 1973, não apenas estava consciente dos abusos sexuais contra menores por parte do clero, mas tinha tomado medidas para evitar que comentários sobre os casos se espalhassem".

A Royal Commission afirma que, em 1982, o religioso decidiu pela transferência do padre Gerald Ridsdale, um dos principais responsáveis pelos crimes do tipo no país, condenado por abusar de cerca de 500 vítimas, para uma outra paróquia - onde teria continuado a cometer os abusos.

Quando era bispo-auxiliar de Melbourne, no ano de 1989, Pell também teria pedido aos seus superiores à época para remover o padre Peter Searson, acusado e condenado por cometer crimes sexuais tanto dentro da paróquia como em escolas em três distritos australianos por mais de uma década.

Em um comunicado difundido hoje, Pell se disse surpreso "com alguns dos pareceres da Comissão" e destacou que as acusações "não são baseadas em provas".

Segundo o religioso, a transferência de Ridsdale não foi feita para acobertar as denúncias e que ele não tinha conhecimento delas à época. O ex-número três do Vaticano acrescentou que, durante uma reunião com uma delegação da paróquia de Deveton, em 1989, sobre o padre Searson, não foram mencionadas as violências sexuais e nem que a delegação teria pedido para remover o sacerdote.

A Polícia de Victoria, onde os abusos em questões foram cometidos, analisará as conclusões da Comissão, enquanto um dos advogados das vítimas, Peter O'Brien, pediu que seja aberta uma nova investigação contra Pell. (ANSA)

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