Jornal do Vaticano critica facilitação do aborto na Itália

Principal jornal da Santa Sé chamou de 'desconcertante' a decisã

Principal jornal do Vaticano criticou as novas diretrizes do governo da Itália sobre o aborto farmacológico
Principal jornal do Vaticano criticou as novas diretrizes do governo da Itália sobre o aborto farmacológico (foto: ANSA)
13:53, 19 AgoSAN PAULO ZGT

(ANSA) - O jornal "L'Osservatore Romano", que pertence ao Vaticano, publicou nesta quarta-feira (19) um artigo em que chama de "desconcertante" a decisão do governo da Itália de facilitar o acesso ao aborto farmacológico no país.

"Em todos os lugares, o aborto continua a causar vítimas inocentes e a devastar a vida de muitas mulheres: por isso, essa decisão de estender a prática só pode ser desconcertante, aumentando as possibilidades de matar crianças, que com sua existência, só pedem para vir ao mundo", diz o texto assinado pelo professor Giuseppe Noia, que leciona Medicina Pré-Natal na Universidade Católica do Sagrado Coração de Roma.

O jornal acrescenta que "em uma época de emergência pela Covid-19, na qual não fazemos mais do que celebrar a heroicidade dos médicos e dos operadores que dão a vida para salvar outras vidas humanas, isso nos parece paradoxal".

As novas diretrizes publicadas no dia 10 de agosto dizem respeito à administração da pílula RU-486, que provoca o aborto sem necessidade de cirurgia. A partir de agora, não há mais necessidade de internação da mulher e a dose pode ser tomada até a nona semana de gestação - antes era liberado até a sétima semana e se recomendava três dias de internação.

A publicação da Santa Sé cita ainda que "a simplicidade de tomar uma pílula, sem o sucessivo controle médico que possa monitorar o evento abortivo e as eventuais complicações, é muito banalizante e, ao mesmo tempo, ocorre quando é mais devastadora, no plano psicológico, a relação que estabelece o fim da relação entre mãe e filho".

"Por tudo isso, a escolha de abortar com a RU-486 não pode ser indolor: no plano físico, traz contrações dolorosas; no plano psíquico, gera uma hiper-responsabilização da mulher porque é ela quem deve tomar a pílula, é ela que deve se fazer atriz, protagonista e espectadora da agonia do próprio filho e dos fenômenos hemorrágicos que podem ocorrer por um período que pode chegar a duas semanas e em um lugar qualquer, sem aviso prévio, expondo a mulher - em 56% dos casos - à experiência devastadora de ver o embrião expulso do próprio corpo com todo o saco embrionário", diz ainda o artigo.

A Itália autoriza a interrupção voluntária da gravidez desde 1978, mas o aborto via medicamentos foi liberado apenas em 2009.

Com as novas diretrizes, as mulheres no país poderão voltar para casa meia hora após a administração da pílula, desde que não apresentem ansiedade nem estejam sozinhas em casa. As regras ainda preveem que a mulher passe por uma consulta médica duas semanas após o aborto. (ANSA).
   

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