Papa cita Amazônia para incentivar 'conversão ecológica'

Francisco encontrou com ambientalistas franceses no Vaticano

Francisco encontrou com ambientalistas franceses no Vaticano
Francisco encontrou com ambientalistas franceses no Vaticano (foto: Ansa)
19:59, 03 SetVATICANO ZCC

(ANSA) - Durante encontro com um grupo de ambientalistas franceses, incluindo a atriz Juliette Binoche, no Vaticano, o papa Francisco citou nesta quinta-feira (3) a situação da Amazônia como um dos principais incentivos para sua "conversão ecológica".

Falando de improviso, o Pontífice disse que gostaria de começar com um pedaço de história. "Em 2006, houve a Conferência do Episcopado Latino-Americano no Brasil, em Aparecida. Eu estava no grupo de redatores do documento final e chegavam propostas sobre a Amazônia. Eu dizia: 'Mas estes brasileiros, como cansam com esta Amazônia! O que a Amazônia tem a ver com a evangelização?'".

Francisco lembrou que anos depois, em 2015, publicou a encíclica Laudato sí, quando "teve um caminho de conversão, para entender o problema ecológico". "Antes eu não entendia nada!", ressaltou.

Neste ano, a Igreja Católica recorda os 5 anos da publicação da Laudato Sí, o que fez Jorge Bergoglio ressaltar a importância de que é preciso "trabalhar para que todos tenham esse caminho de conversão".

O líder da Igreja Católica explicou ainda que, na ocasião, "viu que era necessário destruir a imagem dos nativos que só vemos com flechas".

"Descobri a sabedoria dos povos indígenas, também a sabedoria do viver bem que eles chamam assim. O viver bem não é a "dolce vita", não, e também o doce fazer nada, não. O viver bem é viver em harmonia com a criação. E nós perdemos esta sabedoria de viver bem. Os povos originais nos trazem esta porta aberta", contou.

Durante a conversa, o religioso também lembrou que "alguns idosos dos povos originais do Canadá Ocidental reclamam que seus netos vão para a cidade e pegam as coisas modernas e esquecem suas raízes. E este esquecimento das raízes é um drama não só dos aborígines, mas da cultura contemporânea".

Para ele, embora as condições no planeta "possam parecer catastróficas e, em certas situações, até mesmo irreversíveis", os cristãos não devem perder a esperança.

"Estou certo de que a ciência e a fé podem desenvolver um diálogo intenso e frutífero para mitigar as graves consequências, não somente ambientais, mas também sociais e humanas ao maltratar o meio ambiente", acrescentou citando a Laudato si'.

O Papa enfatizou que o ser humano deve viver "em harmonia na justiça, na paz e na fraternidade, ideal evangélico proposto por Jesus", e não considerar a natureza "unicamente como objeto de lucro e de interesses" que geram graves desigualdades e sofrimentos.

Além disso, explicou que "tudo está conectado", portanto, "é a mesma indiferença, o mesmo egoísmo, a mesma ganância, o mesmo orgulho, a mesma pretensão de ser o dono e o déspota do mundo que levam o ser humano, por um lado, a destruir espécies e a saquear os recursos naturais, e, por outro lado, a explorar a miséria, abusar do trabalho de mulheres e crianças, a derrubar as leis da célula familiar, a não respeitar mais o direito à vida humana desde a concepção até o fim natural".

Por fim, o argentino disse que a crise da modernidade, das relações humanas fundamentais, precisa ser resolvida para dar fôlego à atual situação vivida. "Não haverá nova relação com a natureza sem um ser humano novo, e é curando o coração do homem que se pode esperar curar o mundo das suas desordens, tanto sociais como ambientais". (ANSA)

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