Papa cita 'perigosa situação da Amazônia' em discurso na ONU

Francisco disse que crise ambiental também é problema social

Papa Francisco voltou a cobrar ações contra as mudanças climáticas
Papa Francisco voltou a cobrar ações contra as mudanças climáticas (foto: ANSA)
11:43, 25 SetSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O papa Francisco citou a "perigosa situação" da Amazônia em seu pronunciamento na sessão de debates da 75ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) e disse que a emergência ambiental está "intimamente ligada à crise social".

O vídeo de Jorge Bergoglio foi exibido na manhã desta sexta-feira (25), em uma Assembleia-Geral realizada pela primeira vez de forma virtual devido à pandemia do novo coronavírus. Francisco falou durante 26 minutos e abordou temas caros a seu pontificado, como o aquecimento global e a necessidade de construir uma nova arquitetura financeira global.

Ao mencionar o Acordo de Paris sobre o clima, assinado no fim de 2015, o Papa disse que é preciso "admitir honestamente que, ainda que alguns progressos tenham sido alcançados, a pouca capacidade da comunidade internacional para cumprir suas promessas de cinco anos atrás" evidencia que é preciso evitar discursos "tranquilizantes" e cuidar para que as instituições sejam "realmente efetivas".

"Penso também na perigosa situação da Amazônia e de seus povos indígenas. Eles nos lembram que a crise ambiental está intimamente ligada a uma crise social e que o cuidado com o meio ambiente exige uma aproximação integrada para combater a pobreza e a exclusão", afirmou.

A defesa da Amazônia é uma das bandeiras do pontificado de Francisco, que inclusive dedicou um sínodo à floresta em 2019.

"Não devemos deixar para as próximas gerações os problemas causados pelas anteriores. Devemos nos perguntar seriamente se existe entre nós a vontade política para mitigar os efeitos negativas da mudança climática, assim como para ajudar as populações mais pobres e vulneráveis, que são as mais afetadas", acrescentou.

Pandemia

Boa parte do pronunciamento foi dedicada à pandemia do novo coronavírus, que já infectou mais de 32 milhões de pessoas e deixou um rastro de quase 1 milhão de mortes em todo o mundo.

Segundo Francisco, a emergência sanitária é uma "oportunidade real para repensar nossa forma de vida e nossos sistemas econômicos e sociais, que estão ampliando as distâncias entre pobres e ricos, a partir de uma injusta divisão dos recursos".

"Mas também pode ser uma possibilidade de 'retirada defensiva', com características individualistas e elitistas", acrescentou. Para Jorge Bergoglio, a humanidade pode escolher entre dois caminhos: fortalecer o multilateralismo e renovar uma solidariedade fundada na justiça e na paz, ou adotar atitudes de autossuficiência, nacionalismo, protecionismo, individualismo e isolamento.

Francisco ainda destacou a necessidade de promover a saúde pública e universal e cobrou medidas para garantir o acesso de todos às vacinas contra a Covid-19. De acordo com o Papa, a pandemia ainda reforça a necessidade de se encontrar "novas formas de trabalho", mudando o "paradigma econômico dominante que busca apenas ampliar os lucros das empresas".

"O oferecimento de trabalho a mais pessoas deveria ser um dos principais objetivos de cada empresário, um dos critérios de sucesso da atividade produtiva", disse. O líder católico também criticou políticas que "atribuem a segurança pessoal e social à posse de armas", alimentando um "clima de desconfiança e medo entre pessoas e povos".

"Também reitero a importância de diminuir as sanções internacionais, que dificultam que os Estados deem apoio adequado a suas populações", afirmou o Papa, concluindo o discurso dizendo que não se sai igual de uma crise. "Ou saímos melhores, ou saímos piores." (ANSA)

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