Papa Francisco alerta contra lucro que escraviza ser humano

Pontífice se reuniu com membros de instituição financeira

Pontífice se reuniu com membros de instituição financeira
Pontífice se reuniu com membros de instituição financeira (foto: ANSA)
18:21, 05 OutVATICANO ZCC

(ANSA) - O papa Francisco afirmou nesta segunda-feira (5) que o pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspectiva do lucro, mas se opõe ao lucro a qualquer custo".

A declaração foi dada durante audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, com diretores e funcionários da Caixa de Depósitos e Empréstimos, por ocasião do 170º aniversário da instituição financeira italiana.

"O pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspectiva do lucro, mas se opõe ao lucro a qualquer custo, ao lucro que esquece o ser humano, que o torna escravo, que o reduz a uma coisa entre as coisas", explicou o Papa aos presentes.

O Pontífice ressaltou que a "Doutrina Social da Igreja concorda com uma visão na qual mais investidores esperam uma remuneração justa dos recursos coletados, para depois canalizá-los para o financiamento de iniciativas destinadas à promoção social e coletiva".

Durante o discurso, Francisco acrescentou que o pensamento cristão opõe-se à redução do ser humano "a uma variável de um processo que ele não pode de forma alguma controlar ou ao qual não pode de forma alguma se opor".

O líder da Igreja Católica ainda contou que depois que o nome da instituição deixou de ser Caixa Piemontesa e passou para Caixa de Depósitos e Empréstimos a sua tarefa "foi redesenhada em relação à evolução e necessidades do país", necessitando de "constantes investimentos, modernização, apoio às entidades locais, apoio à formação profissional e produtividade".

Segundo ele, essas linhas de desenvolvimento "exigem um compromisso generoso, principalmente quando se pensa nos desafios sociais e econômicos produzidos pela grave pandemia, nos fenômenos com repercussões muito significativas, como o declínio de algumas formas de produção, e até mesmo nas mudanças que ocorreram na forma como as mercadorias são compradas e vendidas, com o risco de concentrar as trocas e os negócios nas mãos de algumas entidades globais".

Jorge Bergoglio enfatizou que a gestão de negócios exige sempre de todos "uma conduta leal e clara" que "não ceda à corrupção" e no exercício das responsabilidades "é necessário saber distinguir o bem do mal" e, mesmo no setor da economia e das finanças, "a intenção correta, a transparência e a busca de bons resultados são compatíveis e não devem ser separadas".

"É uma questão de identificar e percorrer com coragem linhas de ação que respeitem e promovam a pessoa humana e a sociedade", acrescentou.

Por fim, o Papa disse que uma instituição como a Caixa de Depósitos e Empréstimos "pode testemunhar concretamente uma sensibilidade solidária, favorecendo o relançamento da economia real como força motriz do desenvolvimento das pessoas, das famílias e de toda a sociedade".

"Desta forma também é possível acompanhar o progresso gradual de uma nação e servir ao bem comum, com o esforço de multiplicar e tornar mais acessível a todos os bens deste mundo", concluiu.
(ANSA)

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