Papa se reúne com cardeal demitido em meio a escândalo

Angelo Becciu teria pedido desculpas por declarações

O cardeal Angelo Becciu, em foto de arquivo
O cardeal Angelo Becciu, em foto de arquivo (foto: ANSA)
12:55, 09 OutVATICANO ZLR

(ANSA) - O papa Francisco se reuniu nesta semana com o cardeal italiano Angelo Becciu, forçado a se demitir do cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e a renunciar aos direitos do cardinalato por causa de um escândalo financeiro.

O encontro não consta da agenda oficial do Pontífice, mas foi confirmado por fontes vaticanas. Becciu teria inclusive enviado uma carta de desculpas a Jorge Bergoglio, após uma coletiva de imprensa na qual ele havia se apresentado como vítima de uma "situação surreal".

Na ocasião, o cardeal poupou críticas ao Papa, mas mostrou descontentamento ao afirmar que se sentia um "amigo" e "fiel executor" de Francisco.

A saída de Becciu foi comunicada pela Santa Sé em 24 de setembro, já de noite, algo raro nos informes do Vaticano. A nota oficial é lacônica e diz apenas que o "Santo Padre aceitou a renúncia ao cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e dos direitos relativos ao cardinalato", mas o prelado italiano está no centro de um inquérito que apura o uso de donativos na compra de imóveis.

A investigação já levou à suspensão de funcionários da Secretaria de Estado do Vaticano suspeitos de usar recursos do Óbolo de São Pedro, sistema de arrecadação de doações à Igreja, em transações imobiliárias, como a compra de um edifício residencial em Londres por US$ 200 milhões.

Na época da aquisição, Becciu era o "número 2" na Secretaria de Estado, principal dicastério da Cúria Romana. Além disso, segundo a revista italiana l'Espresso, o cardeal teria confiado o caixa do Vaticano ao banqueiro Enrico Crasso, que, por sua vez, teria direcionado recursos para fundos especulativos em paraísos fiscais.

Também na época em que era substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, Becciu teria pedido e obtido financiamentos a fundo perdido para uma cooperativa comandada por seu irmão, Tonino, e que faz ações para a Cáritas na Sardenha. Os montantes totalizariam 100 mil euros.

O cardeal nega todas as suspeitas e diz que não cometeu nenhuma irregularidade. (ANSA)  

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