Mulher de confiança de cardeal Becciu é presa em meio a escândalo

Marogna teria supostamente recebido 500 mil euros da Igreja

Cardeal é alvo de um escândalo financeiro no Vaticano (foto: ANSA)
19:20, 13 OutVATICANO ZCC

(ANSA) - A italiana Cecilia Marogna, mulher de confiança do cardeal italiano Angelo Becciu, forçado a se demitir do cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e a renunciar aos direitos do candinalato por causa de um escândalo financeiro, foi presa nesta terça-feira (13) em Milão.

A detenção foi feita pela Guarda de Finanças da Itália, com intervenção da Interpol, em cumprimento de um mandado de prisão internacional emitido pelo Vaticano.

Marogna, de 39 anos, entrou na mira das autoridades depois que veio a público que o ex-número "dois" da Secretaria de Estado do Vaticano deu a ela 500 mil euros do fundo de reserva da Santa Sé para aquisição de artigos de luxo.

Segundo a imprensa italiana, a quantia, entre 500 e 600 mil euros, foi entregue para a mulher, natural de Sardenha, por meio de uma empresa com sede na Eslovênia e oficialmente especializada em segurança e relações internacionais.

O valor teria sido pago por operações humanitárias secretas na Ásia e na África, em particular a libertação de padres e freiras sequestrados. O dinheiro, no entanto, era convertido para compras de bolsas, sapatos, cosméticos e acessórios de luxo de famosas marcas, como Prada, Tod's e Chanel.

Em documentos anônimos enviados aos jornais italianos com as contas da companhia consta gastos de cerca de 200 mil euros na compra de produtos de luxo. Somente ao item "Chanel" foram designados cerca de 8 mil euros.

As investigações revelam que Marogna e teria estabelecido relações com a Secretaria de Estado do Vaticano em 2016, quando Becciu foi substituto para Assuntos Gerais - praticamente o terceiro na hierarquia vaticana.

A mulher que a imprensa definiu como "dama do cardeal" teria recebido o dinheiro entre dezembro de 2018 e julho de 2019 em uma conta corrente da sociedade Logsic, empresa eslovena, com sede na capital Ljubljana, a qual ela é administradora.

Além disso, o cardeal italiano teria assinado uma carta na qual confiaria a ela os gastos de ordem humanitária. Ele, porém, declarou que as relações com Marogna eram apenas institucionais, mas também existe a suspeita de a empresa Logsic ser fantasma.

A mulher será extraditada para o Vaticano e colocada à disposição da autoridade judiciária.

Becciu está no centro de um inquérito que apura o uso de donativos na compra de imóveis em Londres, que aparentemente foi feita com fundos do Óbolo de São Pedro, que em teoria deveriam ter sido destinados à caridade do Papa. (ANSA)

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