Vaticano emite nota sobre fala do Papa sobre uniões homossexuais

Secretaria de Estado quis esclarecer edição em documentário

Segundo Vaticano, fala do Papa foi editada em uma resposta única
Segundo Vaticano, fala do Papa foi editada em uma resposta única (foto: ANSA)
12:18, 03 NovCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - A Secretaria de Estado do Vaticano enviou para seus núncios apostólicos ao redor do mundo uma carta com esclarecimentos sobre a fala do papa Francisco no documentário "Francesco", onde ele comenta as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, revelou o site "Avvenire" nesta segunda-feira (2).

Segundo o portal, o documento foi enviado com o consentimento do Pontífice - apesar de não ter a assinatura do religioso - para "esclarecer" textualmente as palavras do líder católico "que suscitaram, nos últimos dias, diversas reações e interpretações". O texto já teria sido distribuído para alguns países, como no caso do México, e lembra que a entrevista integral é mais ampla.

"Há cerca de um ano, divulgando uma entrevista, o papa Francisco respondeu a duas perguntas distintas em dois momentos diferentes, que no documentário foram redigidas e publicadas como uma só resposta sem a devida contextualização, o que gerou confusão".

A carta pontua que, naquela entrevista, Jorge Mario Bergoglio "tinha primeiro feito uma referência pastoral sobre a necessidade que, no interior da família, o filho ou a filha com orientação homossexual não sejam nunca discriminados". Segundo a nota, a fala foi: "As pessoas homossexuais têm o direito de estar em família; são filhos de Deus, têm o direito à família. Não se pode tirar ninguém da família, nem fazer a vida deles impossível por causa disso". Conforme o "Avvenire", a carta lembra que essa fala consta também na encíclica Amoris laetitia, de 2016.

Depois dessa primeira pergunta, em entrevista veiculada na emissora mexicana "Televisa", o chefe da Igreja Católica foi questionado sobre a legislação argentina que igualava os matrimônios heteros e homoafetivos e que, à época, teve amplas críticas da Igreja local.

Sobre o tema, o Pontífice "afirmou que é uma incongruência falar de matrimônio homossexual, acrescentando que, naquele contexto específico, tinha falado do direito dessas pessoas de terem coberturas legais: 'aquilo que precisamos fazer é uma lei de convivência civil, eles têm o direito de serem cobertos legalmente. Eu defendo isso'".

"Com isso, é evidente que o papa Francisco se referiu, determinantemente, às disposições estatais, não relacionada à doutrina da Igreja, que foi numerosas vezes mantida ao longo dos anos", diz ainda o documento obtido pelo portal italiano.

A nova polêmica sobre o tema surgiu no dia 21 de outubro, quando o documentário de Evgeny Afineevsky foi exibido no Festival de Cinema de Roma.

Na produção, foi destacada a frase: "Homossexuais têm o direito de ser parte de uma família. Eles são filhos de Deus e têm o direito a uma família. Ninguém deve ser expulso, ou se tornar miserável por causa disso. O que é preciso é criar a lei de união civil. Assim, eles são protegidos legalmente. Eu apoio isso".

No entanto, apesar da nota enviada pelo Vaticano, a postura de Bergoglio é diferente de seus antecessores, que condenavam até mesmo a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Apesar de sempre ter defendido que o matrimônio, como sacramento católico, é apenas entre homem e mulher, o líder pregou, por diversas vezes, o respeito aos homossexuais. (ANSA).
   

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