Papa faz alerta sobre distribuição das vacinas aos países pobres

Papa enviou mensagem pelo Dia Mundial das Comunicações Sociais
Papa enviou mensagem pelo Dia Mundial das Comunicações Sociais (foto: Divulgação/Santa Sé)
09:56, 23 JanCIDADE DO VATICANO ZCC

(ANSA) - O papa Francisco fez um alerta neste sábado (23) sobre a necessidade de ir ao encontro da "vida concreta", no trabalho jornalístico, principalmente durante a pandemia do novo coronavírus Sars-CoV-2, e pediu atenção aos países mais pobres na distribuição das vacinas anti-Covid.

"Há o risco de narrar a pandemia ou qualquer outra crise só com os olhos do mundo mais rico", alertou em mensagem divulgada pelo 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

De acordo com o religioso, "numerosas realidades do planeta dirigem ao mundo da comunicação um convite a 'ir e ver'". "Por exemplo, na questão das vacinas e dos cuidados médicos em geral, pensemos no risco de exclusão que correm as pessoas mais carentes. Quem nos contará a expectativa de cura nas aldeias mais pobres da Ásia, América Latina e África?", questiona.

O Santo Padre explicou que, sem essa narrativa extensa, as diferenças sociais e econômicas vão marcar a distribuição das vacinas contra a Covid-19, "com os pobres sempre em último lugar".

"O direito à saúde para todos, afirmado em linha de princípio, acaba esvaziado da sua valência real", acrescenta ele, chamando de "drama social" os casos de pobreza provocados pela emergência sanitária.

Durante a mensagem, Francisco ainda alertou para os perigos de uma manipulação de informação nas plataformas digitais, especialmente durante a pandemia, e defendeu que os jornalistas precisam estar dispostos a "ir onde ninguém vai".

"Tornaram-se evidentes, para todos, os riscos de uma comunicação social não verificável. Há tempo que nos demos conta de como as notícias e até as imagens são facilmente manipuláveis, por infinitos motivos, às vezes por um banal narcisismo", acrescentou.

No texto, divulgado pelo Vaticano, Francisco defende uma comunicação "transparente e honesta", "tanto na redação do jornal como no mundo da web, tanto na pregação comum da Igreja como na comunicação política ou social".

O argentino destaca a importância de "maior capacidade de discernimento e de um sentido de responsabilidade mais maduro", na criação e compartilhamento de conteúdos.

"Todos somos responsáveis pela comunicação que fazemos, pelas informações que damos, pelo controle que podemos exercer juntos sobre as notícias falsas, desmascarando-as", enfatizou.

O líder da Igreja Católica admitiu que a tecnologia digital permite ter uma "informação em primeira mão e oportuna", por muitas vezes muito útil, oferecendo a possibilidade de acompanhar acontecimentos que de outra forma "seriam negligenciados pelos meios de comunicação tradicionais".

"É uma ferramenta formidável. Graças à rede temos a oportunidade de contar o que vemos, o que acontece sob os nossos olhos, para compartilhar testemunhos ", afirma.

Apesar disso, a mensagem alerta que "na comunicação, nada pode jamais substituir o ver pessoalmente", porque "algumas coisas só se aprendem vivenciando-as". "Na verdade, não se comunica só com palavras, mas com os olhos, com o tom de voz, com os gestos".

Fazendo um apelo para "vir e ver", Jorge Bergoglio questiona o que classifica como "eloquência vazia" nas várias áreas da vida pública. Ele ainda destaca que, mais do que os recursos técnicos utilizados na comunicação, é a experiência humana que faz a diferença.

"Para contar a verdade da vida que se faz história, é preciso sair da confortável presunção do 'já conhecido' e andar, ir, ver, estar com as pessoas, ouvi-las, recolher as sugestões da realidade, que vai sempre nos surpreender em alguns de seus aspectos", disse.

Ele criticou a uniformização da informação e ressaltou os riscos de "jornais fotocópia" ou noticiários "substancialmente iguais", onde as entrevistas e reportagens perdem espaço.

"A crise editorial corre o risco de levar a uma informação construída nas redações, diante do computador, nos terminais das agências, nas redes sociais, sem nunca sair à rua, sem 'gastar a sola dos sapatos', sem encontrar pessoas para procurar histórias ou verificar com os próprios olhos determinadas situações", alertou.

Por fim, o Papa agradeceu pela "coragem de muitos jornalistas", capazes "ir aonde mais ninguém vai", correndo riscos, o que já permitiu denunciar "a difícil condição das minorias perseguidas em várias partes do mundo", "muitos abusos e injustiças" e lembrar de "guerras esquecidas".

"Seria uma perda não só para a informação, mas também para toda a sociedade e para a democracia, se faltassem estas vozes: um empobrecimento para a nossa humanidade", finalizou. (ANSA)

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