Papa celebra missa da Paixão com críticas a divisões na Igreja

Basílica de São Pedro teve público reduzido devido à pandemia

Papa Francisco na missa da Paixão do Senhor (foto: EPA)
14:51, 02 AbrVATICANO ZLR

(ANSA) - O papa Francisco celebrou nesta sexta-feira (2) a missa da Paixão do Senhor, realizada pelo segundo ano seguido sob medidas restritivas devido à pandemia do novo coronavírus.

No entanto, se em 2020 a missa da Sexta-Feira Santa aconteceu em uma Basílica de São Pedro vazia devido ao rígido lockdown vigente em toda a Itália na ocasião, desta vez a igreja recebeu um público limitado de fiéis e cardeais, que ocuparam os bancos com distanciamento para minimizar o risco de contágio.

Logo após a procissão de entrada, Jorge Bergoglio se deitou no chão e rezou prostrado em frente ao crucifixo da basílica durante alguns minutos. Como de costume, o pregador oficial da Casa Pontifícia, cardeal Raniero Cantalamessa, celebrou a homilia e aproveitou a ocasião para criticar as divisões entre os católicos.

"Qual é a causa mais comum de divisão entre católicos? Não é o dogma, não são os sacramentos e os ministérios, coisas que por singular graça de Deus mantemos íntegras e unânimes. É a opção política, quando prevalece sobre aquela religiosa e eclesiástica e abraça uma ideologia, esquecendo completamente o valor e o dever de obediência na Igreja", disse Cantalamessa.

O pregador acrescentou que divisões políticas entre os católicos são um "pecado, no sentido mais estrito do termo, já que significa que o 'reino deste mundo' se tornou mais importante do que o 'reino de Deus'".

"Somos todos chamados a fazer um sério exame de consciência", acrescentou o cardeal. Cantalamessa ainda lembrou da mais recente encíclica de Francisco, a "Fratelli tutti" ("Todos irmãos"), que fala justamente sobre fraternidade, e da viagem do Papa ao Iraque, durante a qual o líder se encontrou com antigas comunidades do catolicismo oriental perseguidas pelo Estado Islâmico.

"A recente viagem do Santo Padre ao Iraque nos fez tocar com a mão o que significa, para quem é oprimido ou sobrevivente de guerras e perseguições, sentir-se parte de um corpo universal, com alguém que pode fazer seu grito ser ouvido no resto do mundo", declarou o pregador.

Em sua homilia, Cantalamessa denunciou que a fraternidade católica está "ferida" e que a túnica de Cristo foi "feita em pedaços pelas divisões entre as igrejas". "Se existe um dom ou carisma próprio que a Igreja Católica deve cultivar, em benefício de todas as igrejas, é o da unidade", concluiu.

Com uma postura abertamente progressista, Francisco atraiu uma forte oposição do clero ultraconservador e até mesmo acusações de "heresia" por causa de sua defesa do acolhimento de homossexuais e divorciados.

Visita surpresa

Cerca de oito horas antes da missa da Paixão do Senhor, o Papa fez uma visita surpresa a um centro de vacinação contra a Covid-19 para moradores de rua no Vaticano.

De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, o líder da Igreja Católica cumprimentou médicos e enfermeiros, acompanhou a preparação de doses para imunização e conversou com pessoas que aguardavam sua vez de tomar a vacina.

O centro de vacinação foi montado na Sala Paulo VI, onde o Papa costumava celebrar suas audiências semanais em dias de chuva antes da pandemia. Até o momento, o Vaticano já imunizou 800 moradores de rua e pessoas necessitadas, mas o objetivo é chegar a 1,2 mil até este sábado (3).

A vacinação dos sem-teto, realizada com a fórmula da Biontech/Pfizer, começou após a cidade-Estado ter concluído a campanha de imunização de seus funcionários. (ANSA)

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