Itália manda prender envolvido em escândalo no Vaticano

Gianluigi Torzi participou de compra de imóvel em Londres

Cúpula da Basílica de São Pedro vista das margens do Rio Tibre, em Roma
Cúpula da Basílica de São Pedro vista das margens do Rio Tibre, em Roma (foto: ANSA/ALESSANDRO DI MEO)
08:45, 13 AbrROMA ZLR

(ANSA) - A Justiça da Itália emitiu nesta segunda-feira (12) um mandado de prisão contra um corretor financeiro envolvido na compra de um edifício residencial em Londres por US$ 200 milhões com recursos da Secretaria de Estado do Vaticano.

O mandado contra Gianluigi Torzi foi emitido pelo juiz de inquérito preliminar de Roma Corrado Cappiello, que também determinou a proibição de exercício profissional para os contadores Giacomo Capizzi, Alfredo Camalò e Matteo Del Sete, acusados pelo Ministério Público de emitir notas frias.

Torzi já havia sido preso pelo Vaticano em junho do ano passado e estava em regime de detenção domiciliar. Ele é suspeito de ter recebido ilegalmente 15 milhões de euros pela compra do edifício em Londres.

Segundo investigações da Guarda de Finanças italiana, parte desse dinheiro - 4,5 milhões de euros - teria sido usada para comprar ações na Bolsa de Valores de Milão, investimentos que teriam feito o corretor lucrar 750 mil euros.

Além disso, ele teria montado um esquema de emissão de notas frias com Capizzi, Camalò e Del Sete para fraudar o Fisco italiano. Torzi também é investigado em outro inquérito por falência fraudulenta.

"Parece evidente que o investigado, mesmo em prisão domiciliar, possa perpetrar novas condutas criminosas semelhantes, seguindo os mesmos esquemas já estabelecidos e continuando a se servir de laranjas e contadores para atrapalhar a atividade de busca por provas", disse o juiz Cappiello em sua decisão.

A compra do edifício residencial em Londres é alvo de um inquérito no Vaticano que já culminou na renúncia do poderoso cardeal Angelo Becciu ao cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e aos direitos do cardinalato, em setembro passado.

Na época da aquisição, Becciu era o "número 2" na Secretaria de Estado do Vaticano, principal dicastério da Cúria Romana. A suspeita é de que o imóvel tenha sido comprado com dinheiro do Óbolo de São Pedro, sistema de arrecadação de donativos da Igreja Católica, mas o cardeal nega.

Segundo Becciu, o prédio foi adquirido com recursos de um fundo da Secretaria de Estado que "precisava crescer". (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA