Papa se 'choca' com descoberta de vala comum em escola no Canadá

Parte dos internatos do governo eram geridos por católicos

Papa Francisco fez uma oração por vítimas de internatos no Canadá
Papa Francisco fez uma oração por vítimas de internatos no Canadá (foto: ANSA)
09:25, 06 JunCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - O papa Francisco afirmou neste domingo (6) ter ficado "chocado" com a descoberta de 215 restos mortais de crianças na Kamloops Indian Residential School, na província de Columbia Britânica, no Canadá. Segundo as informações da mídia local, tratam-se de crianças indígenas que eram obrigadas a ir para os internatos para uma "adaptação forçada" à vida canadense.

"Sigo com dor as notícias que chegam do Canadá sobre a comovente descoberta. Me uno aos bispos canadenses e a toda a Igreja Católica no Canadá. A triste descoberta acrescenta a consciência das dores e sofrimentos do passado. As autoridades políticas e religiosas devem continuar a colaborar com determinação para fazer luz sobre o triste caso e a se comprometer humildemente para trazer reconciliação e cura", disse.

Francisco ainda alertou que esses "momentos difíceis" mostram uma "forte chamada para todos nós, para nos afastarmos do modelo colonizador, e também das colonizações ideológicas de hoje, e caminhar lado a lado no diálogo, no respeito recíproco e no reconhecimento dos direitos e dos valores culturais de todos os filhos e filhas do Canadá".

"Confiamos ao Senhor as almas de todas as crianças mortas nas escolas residenciais do Canadá e rezamos pelas famílias e pelas comunidades autóctones canadenses, que enfrentaram tanta dor", finalizou.

A descoberta dos restos mortais, ocorrida na última semana, chocou o Canadá. A investigação preliminar, feita com equipamentos de alta tecnologia, revelou as ossadas de, ao menos, 215 crianças. Mas, acredita-se que a quantidade de mortes nessas instituições possa chegar às milhares.

O Canadá tinha mais de 130 internatos do tipo e que funcionaram entre os anos de 1874 e 1996. O objetivo era claro: forçar as crianças de tribos nativas a se incorporarem na sociedade canadense, fazendo com que elas abandonassem todas as suas tradições e línguas e passassem a se "comportar como canadenses", falando inglês ou francês.

Apesar de ser uma política de Estado, cerca de 70% dessas instituições eram geridas em parceria com instituições católicas.

Um relatório de 2015 chamou essas instituições de praticantes de "genocídio cultural" e destacou que todos os que tiveram algum tipo de autoridade no período, seja governo nacional, local ou religioso, sabiam dos danos irreversíveis que essa política trazia. (ANSA).
   

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