Papa recebe secretário de Estado dos EUA no Vaticano

Visita ocorre em meio a levante de bispos contra Biden

Papa Francisco recebe Antony Blinken no Vaticano
Papa Francisco recebe Antony Blinken no Vaticano (foto: EPA)
08:39, 28 JunVATICANO ZLR

(ANSA) - O papa Francisco recebeu nesta segunda-feira (28) o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em meio à tentativa de bispos americanos de impedir o presidente Joe Biden de participar da comunhão.

Segundo o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, a audiência durou cerca de 40 minutos e ocorreu em um "clima de cordialidade".

"Foi uma ocasião para o Papa recordar a viagem feita em 2015 e expressar seu afeto e atenção pelo povo dos Estados Unidos da América", disse Bruni, sem entrar em detalhes sobre o conteúdo da reunião.

Antes do encontro com Francisco, Blinken foi à Capela Sistina, conhecida pelas pinturas de Michelangelo, e à Sala Régia do Palácio Apostólico.

A visita do secretário de Estado acontece 10 dias após os bispos americanos terem autorizado a elaboração de um documento que pode abrir caminho para proibir a comunhão, principal sacramento da Igreja Católica, a políticos pró-aborto.

A medida arrisca afetar o presidente Biden, que é católico praticante, mas defende que mulheres possam interromper a gravidez voluntariamente, embora se diga pessoalmente contrário a essa prática.

A decisão foi tomada apesar de o próprio Vaticano ter advertido os bispos para que a proposta não fosse colocada em votação na Conferência Episcopal dos EUA. Ainda não se sabe, no entanto, se o futuro "documento de comunhão" vai impor alguma restrição ao sacramento.

A "cruzada" dos bispos conservadores dos Estados Unidos está alinhada com o ex-presidente Donald Trump, mas também é símbolo da disputa por poder na Igreja.

O presidente da Conferência Episcopal dos EUA, José Horacio Gómez, ainda não foi promovido a cardeal pelo Papa, que enfrenta forte oposição das alas mais conservadoras do clero americano.

O cardeal Raymond Burke, expoente da Igreja nos Estados Unidos, já chegou a insinuar que Jorge Bergoglio é herege por causa de sua decisão de permitir a comunhão para divorciados. (ANSA)

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