Por situação 'preocupante', Papa limita missas com rito antigo

Oposição ao Concílio Vaticano II é 'insustentável'

A partir de agora, as missas com rito antigo só poderão ser realizadas após autorização dos bispos
A partir de agora, as missas com rito antigo só poderão ser realizadas após autorização dos bispos (foto: ANSA)
13:06, 16 JulCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - O papa Francisco publicou nesta sexta-feira (16) um documento que limita a celebração das missas com o chamado rito antigo. A partir de agora, elas somente poderão ser realizadas com autorização dos bispos.

Segundo o líder católico, o uso desse tipo de liturgia - que também é conhecida como rito romano ou rito tridentino - vem sendo instrumentalizado por grupos que se opõe às determinações do Concílio Vaticano II e isso é algo "insustentável".

"Infelizmente, a intenção pastoral dos meus antecessores, que pretendiam 'fazer todos os esforços para que todos aqueles que, verdadeiramente, desejam a unidade possam permanecer nesta unidade ou redescobri-la', muitas vezes foi seriamente negligenciada", escreveu o Pontífice em seu motu proprio "Traditiones Custodes".

"Uma possibilidade oferecida por São João Paulo II e, com ainda maior magnitude por Bento XVI, para recompor a unidade do corpo eclesial no que diz respeito às várias sensibilidades litúrgicas foi utilizada para aumentar distâncias, endurecer diferenças, construir contrastes que ferem a Igreja, atrapalhar seu caminho, expondo-a ao risco de divisões", ressalta ainda.

Jorge Mario Bergoglio afirmou que os "abusos" cometidos "o deixam dolorido e preocupado" porque "duvidar do Concílio Vaticano II significa duvidar das intenções dos padres, os quais exercitaram a sua capacidade colegial de modo solene [...] e, em último caso, duvidar do próprio Espírito Santo que guia a Igreja".

Aos bispos, o Papa pede que tenham "maior responsabilidade e vigilância" sobre aqueles que pedem para celebrar as missas no rito antigo.

O objetivo de liberar as missas com o rito antigo era manter unidas as "várias almas" da Igreja, incluindo os tradicionalistas - como os seguidores de Marcel Lefebvre - e os progressistas. No entanto, essa medida falhou. Esses conservadores têm dito cada vez mais que a alteração decidida pelo Concílio - e que tornou as missas mais populares - "traiu" a "verdadeira Igreja".

A partir de agora, os grupos que já realizam as missas desse tipo devem pedir autorização para os bispos para a celebração e não devem ser criados novos grupos do tipo.

Já os padres que rezam nesse estilo também devem pedir autorização para continuar a fazê-lo. Novos sacerdotes só poderão celebrar o rito antigo após autorização da Santa Sé.

"É para defender a unidade do Corpo de Cristo que sou obrigado a revogar a faculdade concedida pelos meus antecessores. O uso distorcido deles é contrário aos motivos que os levaram a conceder a liberdade de celebrar a missa com o Missale Romanum de 1962", ressalta ainda Francisco, informando que todos os decretos anteriores sobre o assunto foram revogados a partir dessa sexta. (ANSA).
   

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