CNBB protesta com Alesp sobre xingamentos de deputado ao Papa

Deputado estadual pediu desculpas em carta nesta segunda

Papa Francisco foi ofendido de 'vagabundo' por deputado na Alesp
Papa Francisco foi ofendido de 'vagabundo' por deputado na Alesp (foto: ANSA)
10:06, 19 OutSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - A Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) repudiou os ataques e xingamentos feitos pelo deputado estadual de São Paulo Frederico d'Ávila (PSL) em uma sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Segundo o portal "G1", a carta publicada no site da instituição no domingo (17) seria entregue à presidência da Alesp nesta segunda-feira (18).

No documento, a CNBB rejeita "fortemente as abomináveis agressões" ditas por D'Ávila e diz que o deputado "feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes e vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida pelo bem da democracia brasileira".

"Defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito, a CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade - sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada", diz ainda o documento.

O deputado aliado do presidente Jair Bolsonaro, fez o discurso dois dias depois de uma missa realizada em Aparecida em 12 de outubro, que contou com a presença do mandatário.

Durante a cerimônia, o arcebispo Dom Orlando Brandes afirmou que "para ser a pátria amada, o Brasil não pode ser um pátria armada". A fala foi uma clara crítica às políticas de Bolsonaro, que afrouxou diversas regras para a aquisição e o porte de armas.

No discurso, D'Ávila atacou o arcebispo, a CNBB e o papa Francisco.

"Seu safado da CNBB dando recadinho para o presidente, para a população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria amada é a pátria que não se submete a essa gentalha. Você é um vagabundo, safado, que se submete a esse Papa vagabundo também. A última coisa que vocês tomam conta é do espírito, do bem-estar e do conforto da alma das pessoas. Você acha que é quem para ficar usando a batina e o altar para ficar fazendo proselitismo político? Seus pedófilos safados, a CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil", disse no palanque.

Na noite desta segunda-feira, o deputado - que já quis homenagear o ex-ditador chileno Augusto Pinochet na Alesp - pediu desculpas por seu "excesso" no discurso "inapropriado e exagerado".

"Meu pronunciamento, que admito ter sido inapropriado e exagerado pelo calor do momento, se deu em resposta a alguns líderes religiosos que ultrapassam os limites da propagação da fé e da espiritualidade para fazer proselitismo político. Reitero que desculpo-me pelas palavras e exagero. Não tive a intenção de desrespeitar o papa Francisco, líder sacrossanto e chefe de Estado, minha fala foi no sentido de divergir sobre ideias e posicionamentos, tão só. Inserir o Papa em minha fala foi um erro, pelo qual humildemente peço desculpas a todos os católicos do Brasil e do mundo, pois não considerei a figura espiritual que ele representa", acrescentou. (ANSA).

   

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