2024 pode ser ano mais quente da história, diz Nobel italiano

À ANSA, climatologista previu mudanças mais drásticas

Calor de 2023 deve ser superado em 2024 (foto: ANSA)
Calor de 2023 deve ser superado em 2024 (foto: ANSA)

(ANSA) - Após 2023 ter sido oficializado como o ano mais quente de todos os tempos, a expectativa para 2024 é de que supere novamente essa marca, ou fique apenas pouco atrás.

A previsão foi feita à ANSA pelo climatologista Filippo Giorgi, um dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz em 2007 pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), pelos alertas sobre as mudanças climáticas.

Para ele, “não é realista” limitar em 1,5 grau a meta máxima de aquecimento global, como previsto no Acordo de Paris.

“As mudanças climáticas envolvem água, perda de biodiversidade, comportam problemas em agricultura, nas zonas costeiras, não sei se estamos equipados, inclusive culturalmente, para enfrentá-las. Basta pouco para acionar uma crise econômica”, afirmou.

“Estamos lidando com graves consequências ambientais, não sei se seremos capazes de gerenciá-las. Os últimos anos foram incrivelmente anormais do ponto de vista climático”, lamentou.

Entre as anomalias, o cientista citou o furacão mediterrâneo na Líbia em 2023, “tão intenso que causou uma inundação que provocou a morte de 10 mil pessoas em três dias”.

Ele também citou “a seca de 2022, as enchentes no Paquistão com 20 milhões de pessoas deslocadas”, além de outro evento menos conhecido, uma onda de calor na Antártida em março de 2023 que levou a uma anomalia térmica de 47 graus: durante um mês, em vez da temperatura costumeira de 60ºC, os termômetros marcarma -12ºC.

O especialista disse que “do ponto de vista climático, a situação piora continuamente”.

“É preciso imediatamente melhorar a eficiência energética, aumentando a eletrificação dos sistemas. As tecnologias existem, é como está sendo feito em Portugal, onde até 2030 a eletricidade será toda de fontes renováveis. Seria possível produzir toda a energia usando todas as fontes renováveis juntas. É preciso agir de maneira urgente, agora, a nível global”, afirmou Giorgi.

“Mas não vejo muito esforço”, concluiu.

 (ANSA).