Laura Pausini: 'Sou a italiana mais latina do mundo'

Artista será nomeada Pessoa do Ano nos Latin Grammy Awards

Laura Pausini na 71ª edição do Festival de Sanremo (foto: ANSA)
Laura Pausini na 71ª edição do Festival de Sanremo (foto: ANSA)

(ANSA) - Por Claudia Fascia - "Nesses 30 anos de carreira, o que me orgulha é ouvir dizer que sou a italiana mais espanhola, mais argentina, mais... latina do mundo".

Laura Pausini, nomeada Pessoa do Ano de 2023 pela Latin Recording Academy, uma das mais altas honrarias do Latin Grammy Awards concedida anualmente a um artista por seus sucessos na indústria musical latina, bem como por seus esforços humanitários, na véspera da noite de gala do prêmio, se declara "a pessoa mais sortuda deste ano e a italiana mais orgulhosa de ser latina".

Excepcionalmente, o Latin Grammy deste ano será realizado em Sevilha, em vez de Las Vegas, atingindo o seu auge na noite de 16 de novembro, a noite dos grandes prêmios da música latina.

"Depois de apresentar o evento no ano passado, fui chamada pelo presidente Manuel Abud. Eu pensei que ele queria que eu repetisse, mas, para minha grande surpresa, ele me comunicou a nomeação como Pessoa do Ano: eu não tenho sangue latino, como isso poderia ser possível?", questionou.

"Mas a Academia votou em mim, e este é o reconhecimento do vínculo que tenho com os países de língua espanhola. Uma adoção que é legalizada. É mais do que um artista que viaja pelos vários países. Cantar em espanhol para mim é uma necessidade, para permanecer fiel a mim mesma e ao meu estilo melódico", afirmou Laura.

"Continuarei a fazer isso, e sem autotune. Mas não é uma polêmica: hoje é usado como uma ferramenta, assim como nos anos 90 se usava o megafone. Acredito que algo assim só foi experimentado pelo público latino com Raffaella Carrà", disse ainda.

Ela é a única artista não nativa de língua espanhola e a terceira mulher a ser premiada. No passado, foram premiados, entre outros, Marc Anthony (2016), Caetano Veloso (2012), Plácido Domingo (2010), Ricky Martin (2006), Carlos Santana (2004), Gilberto Gil (2003). E apenas duas mulheres: Shakira (2011) e Gloria Estefan (2008).

"Três mulheres em 24 edições do prêmio são poucas, mas estou em companhia de colegas incríveis. Somos uma trindade, com Gloria Estefan e Shakira. A coisa positiva é que as artistas latinas estão começando a se destacar, penso em Karol G e Rosalia", comemora.

Este reconhecimento se soma aos muitos que Laura Pausini conquistou ao longo dos anos, incluindo um Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar.

"Eu lendária? Não, eu me sinto sempre a mesma, apenas com algumas rugas a mais. Eu sempre tive um problema de autoestima, mas estou trabalhando nisso.

Eu sempre me pergunto se estou à altura do que faço, se mereço, mesmo trabalhando muito, estudando muito, sendo disciplinada", brinca a artista romagnola na coletiva de imprensa que antecede a premiação.

"Eu sou uma pessoa normal e nem sempre é fácil lidar com um trabalho que não é normal. Felizmente, a resposta está nos shows e a responsabilidade que sinto, divido com o público".

O título de Pessoa do Ano lhe foi concedido por sua carreira como intérprete polivalente e multilíngue, e por seu constante comprometimento em apoiar causas de justiça social, incluindo a fome no mundo, a violência contra as mulheres e os direitos Lgbt+.

"Quando eu era mais jovem, meus pais ensinaram a mim e minha irmã que era importante ser aberto aos outros, e foi aí que aprendi o que é a diversidade e o altruísmo, e principalmente os direitos humanos. Meu último álbum se chama Anime Parallele (Almas Paralelas), fala de almas e coloca a palavra amor no centro", lembra.

Na noite de gala de 15 de novembro, Laura Pausini será celebrada com um concerto tributo, com interpretações de seu repertório feitas por artistas e amigos de destaque internacional.

"Eu não sei ao certo quem estará lá, mas estou curiosa para saber como meus amigos e colegas cantarão minhas músicas", concluiu. (ANSA).