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Israel declara guerra após ataque massivo do Hamas

Há ao menos 438 mortos; 5 mil foguetes foram usados

TEL AVIV, 07 outubro 2023, 15:25

Redação ANSA

ANSACheck

Foguetes foram lançados de Gaza a Israel - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

(ANSA) - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou guerra após um ataque surpresa de grande escala do Hamas, usando mais de 5 mil foguetes.

Ao menos 438 pessoas morreram, entre 200 em Israel e 238 na retaliação na Faixa de Gaza. Os feridos são milhares. O balanço é provisório. Além disso, Israel reporta 57 sequestros de israelenses levados para a Faixa de Gaza.

"Cidadãos de Israel, estamos em guerra, e não é só uma operação, é realmente uma guerra", disse Netanyahu, informando que ordenou a convocação de reservistas do Exército e uma resposta à guerra "impetuosidade e uma amplitude que o inimigo não conheceu até agora".

"O inimigo pagará um preço que nunca precisou pagar. Venceremos", declarou o premiê.

"Diversos terroristas se infiltraram no território israelense desde a Faixa de Gaza. Os habitantes da área devem permanecer em suas casas", disse o porta-voz militar israelense.

A infiltração ocorreu por terra, ar e mar, inclusive com o uso de parapentes.

Com a declaração de guerra, foi iniciada a "Operação Espadas de Ferro", com a convocação de dezenas de milhares de reservistas.

Segundo a imprensa local, homens armados chegaram a abrir fogo contra pedestres na cidade de Sderot. Também foram divulgadas imagens de prisões de soldados israelenses, e corpos de militares levados para Gaza, mas as informações ainda não foram confirmadas oficialmente.

Segundo Netanyahu, em uma reunião extraordinária do Conselho dos Ministros do país, Israel tem três objetivos: “Retomar o controle nas áreas onde forças inimigas se infiltraram, fazer com que o inimigo pague um preço enorme, e reforçar os outros fronts para que ninguém cometa o erro de se associar a essa guerra’.

“Estamos em guerra, e na guerra é preciso manter o sangue frio. Apelo a todos os cidadãos para que se unam para atingir nosso objetivo final: uma vitória na Guerra”, declarou.

O vice-líder do Hamas, Saleh al-Arouri, declarou à Al Jazeera que o grupo capturou “um grande número de israelenses”, entre os quais altos oficiais.

Segundo ele, o grupo tem prisioneiros suficientes para forçar Israel a libertar todos os prisioneiros palestinos em seus cárceres.

“Conseguimos matar e capturar muitos soldados israelenses. Os combates ainda estão em andamento. E aos nossos prisioneiros, digo que sua liberdade se aproxima. O que temos em mãos os libertará. Quanto mais combatermos, mais teremos”, declarou.

A comunidade internacional iniciou uma onda de grande repercussão e, em sua maior parte, se solidarizou com Israel.

ITÁLIA

O presidente italiano, Sergio Mattarella, enviou uma mensagem a seu homólogo israelense, Isaac Herzog: “Soube com profunda consternação. Cheguem ao senhor e aos cidadãos as expressões de solidariedade da Itália. Estamos próximos do luto das famílias das vítimas e esperamos a recuperação pronta e completa dos feridos”.

“Quero reforçar a mais firme e convicta condenação ao ataque, que atenta contra a segurança de Israel e afasta a perspectiva de uma paz duradoura, desejada por todas”, concluiu.

“O governo italiano acompanha de perto o brutal ataque que está se desenvolvendo em Israel. Condena com máxima firmeza o terror e a violência contra civis inocentes em andamento. O terror não prevalecerá jamais. Apoiamos o direito de Israel a se defender”, diz uma nota do governo da Itália.

“As vidas das pessoas, a segurança da região e a retomada de quaisquer processos políticos estão em risco. O Hamas deve cessar imediatamente essa violência. Apoiamos o direito de Israel de existir”, destacou o ministro italiano das Relações Internacionais e vice-premiê, Antonio Tajani.

O embaixador da Itália em Israel, Sergio Barbanti, declarou: “Estamos acompanhando a situação e dando assistência aos compatriotas que precisarem. O que estamos vendo é muito grave. Estamos acompanhando os fatos. A rede foi ativada e no momento todos os italianos estão bem”.

O governo também fez uma reunião, presidida pela premiê, Giorgia Meloni. Em nota, o Palazzo Chigi informou que as autoridades se aprofundaram no ocorrido, a nível diplomático e de inteligência.

“O governo acompanha com preocupação a evolução da situação, em estreita colaboração com aliados e instituições europeias. Temos particular atenção à segurança da comunidade hebraica no território nacional”, diz a nota”.

EUROPA

A presidente do poder Executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen, expressou “inequívoca condenação” e definiu os ataques como “terrorismo em sua forma mais desprezível”. O comissário de Economia da UE, Paolo Gentiloni, também manifestou angústia e solidariedade a Israel.

O alto representante da União Europeia para Política Externa, Josep Borrell, escreveu: "Acompanhamos com angústia as notícias de Israel e condenamos sem reservas os ataques conduzidos pelo Hamas. Essas horríveis violências devem cessar imediatamente.  Com o terrorismo e a violência não se resolve nada".

O governo francês, em nota, disse: “A França condena com máxima firmeza os ataques contra Israel e sua população, expressa plena solidariedade a Israel e às vítimas desses ataques, e reafirma seu absoluto repúdio ao terrorismo e seu empenho pela segurança de Israel”.

“Condeno firmemente os ataques terroristas e expresso plena solidariedade às vítimas, familiares e pessoas próximas”, disse o presidente francês, Emmanuel Macron.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou: “O terrorismo não deveria ter lugar no mundo, é sempre um crime, não só contra um país específico ou contra as vítimas em si, mas contra a humanidade em geral e contra o mundo inteiro”.

BRASIL

O Itamaraty divulgou uma nota condenando “a série de bombardeios e ataques terrestres”. O texto diz que o governo brasileiro “expressa condolências aos familiares das vítimas e manifesta sua solidariedade ao povo de Israel”.

“O Brasil lamenta que em 2023, ano do 30º aniversário dos Acordos de Paz de Oslo, se observe deterioração grave e crescente da situação securitária entre Israel e Palestina. Na qualidade de Presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil convocará reunião de emergência do órgão”, anuncia o 
comunicado.

“Ao reiterar que não há justificativa para o recurso à violência, sobretudo contra civis, o Governo brasileiro exorta todas as partes a exercerem máxima contenção a fim de evitar a escalada da situação”, diz o texto.

O Ministério das Relações Exteriores afirma ainda que não há, até o momento, notícia de vítimas entre a comunidade brasileira em Israel e na Palestina.

“O governo brasileiro reitera seu compromisso com a solução de dois Estados, com Palestina e Israel convivendo em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas. Reafirma, ainda, que a mera gestão do conflito não constitui alternativa viável para o encaminhamento da questão israelo-palestina, sendo urgente a retomada das negociações de paz”, conclui o Itamaraty.

No Twitter, o presidente Lula se disse chocado com os ataques terroristas: “Ao expressar minhas condolências aos familiares das vítimas, reafirmo meu repúdio ao terrorismo em qualquer de suas formas. O Brasil não poupará esforços para evitar a escalada do conflito, inclusive no exercício da Presidência do Conselho de Segurança da ONU”.

“Conclamo a comunidade internacional a trabalhar para que se retomem imediatamente negociações que conduzam a uma solução ao conflito que garanta a existência de um Estado Palestino economicamente viável, convivendo pacificamente com Israel dentro de fronteiras seguras para ambos os lados”, concluiu.

ONU

A Organização das Nações Unidas informou que fará uma reunião de emergência do Conselho de Segurança neste domingo (8), às 15h (horário local, 16h em Brasília), sobre a situação no Oriente Médio após os ataques a Israel.

O Brasil, presidente de turno do Conselho de Segurança da ONU, anunciou que convocaria a reunião.

O coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Tor Wennesland, expressou preocupação pelos civis: “Condeno com veemência o ataque, que provocou cenas horríveis de violência e muitas vítimas. São ataques atrozes contra os civis e devem ser interrompidos imediatamente.

EUA

O presidente americano, Joe Biden, disse que “o terrorismo nunca é justificado”: “Israel tem direito de se defender e a seu povo. Os EUA alertam que outras partes hostis em Israel não tentem aproveitar a situação. O apoio da minha administração à segurança de Israel é sólido e inabalável”.

“Nesta manhã falei com o premiê Netanyahu sobre os horríveis ataques. Ficaremos em estreito contato”, acrescentou.

O ministro da Defesa americano, Lloyd Austin, disse que o Pentágono irá trabalhar para assegurar que Israel tenha “o que precisar para se defender”.

“Acompanho de perto os desenvolvimentos em Israel. Nosso empenho pelo direito de defesa segue inabalável. Nos próximos dias o Departamento trabalhará para garantir que Israel possa proteger os civis da violência indiscriminada e do terrorismo”, afirmou Austin.

OTAN

O porta-voz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dylan White, disse que a aliança condena “os ataques terroristas do Hamas contra Israel, nosso parceiro”.

“Nossos pensamentos estão com as vítimas e todas as pessoas atingidas. O terrorismo é uma ameaça fundamental para as sociedades livres e Israel tem o direito de se defender”, declarou.

APOIADORES
   
Por outro lado, Rahim Safavi, conselheiro do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse: “Parabenizamos os combatentes palestinos. Estaremos ao lado dos combatentes até a libertação da Palestina e de Jerusalém”.

Em Beirute, no Líbano, pessoas chegaram a comemorar nas ruas, tremulando bandeiras palestinas e dando outras demonstrações de solidariedade.

RÚSSIA

A Rússia busca mediar um cessar-fogo. O representante especial para o Oriente Médio e países africanos, e vice-ministro de Relações Exteriores, Mikhail Bogdanov, disse estar em contato com autoridades israelenses, palestinas e dos países árabes: “Se trata de uma recaída do conflito que dura 75 anos. Pedimos a paz”.

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