Corte de Cassação da Itália analisará apreensões do caso Agnelli

'Dinastia' italiana trava batalhas judiciais por herança

John Elkann, neto de Agnelli (foto: ANSA)
John Elkann, neto de Agnelli (foto: ANSA)

(ANSA) - O Ministério Público de Turim apresentou um recurso à Corte de Cassação contra uma decisão que reverteu a apreensão de bens no processo relacionado à herança de Gianni Agnelli, patriarca da "dinastia" que controlou empresas como Ferrari e Fiat.

No início de março, a defesa de John Elkann (neto de Gianni e diretor-executivo da Exor, holding com participações de Ferrari, Stellantis, etc) e do contador Gianluco Ferrero conseguiu a restituição parcial de itens apreendidos, incluindo telefones celulares e documentos.

A apreensão havia sido feita pela Guarda de Finanças em decorrência do inquérito do MP para apurar um possível crime financeiro.

Trata-se de uma suposta falsa declaração de rendimentos em relação aos anos fiscais de 2018 e 2019, que Marella Caracciolo, esposa de Agnelli, recebeu de sua filha Margherita em virtude de acordos firmados em 2004 no âmbito da sucessão hereditária.

A autora da denúncia foi a própria Margherita, mãe de John e única filha viva de Gianni, que disputa a legitimidade da herança com o próprio filho.

A questão da apreensão será discutida nesta terça (26).

Segundo a ordem de apreensão, em novembro passado uma consulta com um especialista em grafologia levou a procuradoria de Turim a considerar "perfis de falsificação" nas assinaturas de Marella Caracciolo em documentos.

Foram arroladas pelo menos 13 testemunhas. Cinco delas teriam levado os promotores a considerar "amplamente confirmado" o cenário segundo o qual a residência da mulher na Suíça era fictícia, mas outros depoimentos desmentiram essa versão.

Com a residência, a autoridade judicial suíça ficou responsável por administrar a herança de Marella Agnelli. Em caso de confirmação sobre a falsidade da residência, a questão do espólio e da sucessão poderia ser revista. (ANSA).