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Acusada de transfobia, autora de Harry Potter desafia nova lei

Acusada de transfobia, autora de Harry Potter desafia nova lei

Escócia aprovou texto para evitar crimes de ódio contra LGBTs

LONDRES, 02 abril 2024, 13:42

Redação ANSA

ANSACheck

JK Rowling, autora da saga Harry Potter (Foto: Debra Hurford Brown) - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Foi reaberto o conflito entre trincheiras adversárias no Reino Unido no front da batalha da população LGBT+ para a proteção das pessoas trans, e da oposta pela defesa da "diferenciação biológica de gênero" invocada paralelamente tanto por ambientes conservadores quanto por setores do movimento feminista.

A peça mais recente do escândalo pode ser representada pela entrada em vigor, na Escócia, de uma lei liberal local que mira evitar a instigação ao ódio contra as minorias sexuais, especialmente contra as pessoas transgênero.

Entre as primeiras opositoras da lei, insurgiu-se JK Rowling, escritora que tornou-se célebre por sua saga Harry Potter, e fervorosa defensora, em nome do feminismo, de uma linha biológica clara para distinguir homens e mulheres, alegando querer proteger a intimidade, a identidade e a segurança delas.

A nova norma, promovida pelo governo de Edimburgo liderado pelo premiê Humza Yousaf, líder do Partido Nacional Escocês (SNP), se limita a reforçar a legislação existente. Mas, para as vozes críticas, é potencialmente uma brincadeira capaz de pôr em risco a liberdade de expressão, sagrada no papel para a democracia britânica, honrando apenas o "politicamente correto".

Quem também surfou na onda da polêmica para fins políticos (e pré-eleitorais, tendo em vista as eleições deste ano) foi o governo central de Londres, através do primeiro-ministro conservador Rishi Sunak, que criticou publicamente a iniciativa escocesa, sem excluir a possibilidade de um eventual veto constitucional (já imposto com sucesso a uma lei anterior de Edimburgo sobre "gender free").

Para Sunak, ninguém deve ser perseguido pela "afirmação de fatos" certificados "pela biologia": "Neste país acreditamos na liberdade de expressão, e os conservadores a protegerão sempre", avisou, colocando-se na defesa de Rowling.

A autora - inglesa de nascimento, escocesa por escolha - não se eximiu de bater boca, reagindo ao lançamento da medida com uma série de mensagens nas redes sociais, chegando a afirmar estar pronta para ser presa por manifestar os próprios pensamentos.

A lei, em suas palavras, atribui "um valor mais alto às sensibilidades de homens que exigem suas próprias ideias de identidade feminina, muitas vezes de maneira misógina e oportunista, em relação aos direitos e às liberdades concretas de tantas meninas e mulheres", afirmou.

"A liberdade de expressão e de credo na Escócia está fadada a acabar se uma definição biológica precisa dos sexos for considerada crime", adicionou.

A "mãe" de Harry Potter virou alvo dos ativistas LGBT+ diversas vezes nos últimos anos por suas categóricas tomadas de posição, incluindo denúncias de ameaças ou intimidações, e foi renegada até por alguns protagonistas do mundo da cultura e do cinema, inclusive os dos filmes hollywoodianos sobre o bruxinho que nasceu de sua imaginação.

Ela também recordou alguns casos extremos do noticiário policial, como o de um estuprador preso temporariamente em um cárcere feminino na Escócia, tendo iniciado sua redesignação sexual apenas após a prisão. E reivindicou poder continuar indicando as mulheres transgênero como "homens biológicos".

Já o premiê Yousaf, primeiro líder de raízes muçulmanas da nação ao norte da Grã-Bretanha (os pais são imigrantes paquistaneses e a mulher tem origens palestinas), levantou a voz para defender a lei, se dizendo "muito orgulhoso" de uma reforma justificada pelo incremento de episódios de ódio e intolerância.

Reforma, para ele, alvo "da desinformação", mas que, na verdade, contém "garantias sobre a liberdade de expressão" que a polícia escocesa "saberá aplicar com o necessário discernimento".
   

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