Papa condena aumento de antissemitismo: 'Pecado contra Deus'

Francisco durante missa no Vaticano (foto: ANSA)
Francisco durante missa no Vaticano (foto: ANSA)

(ANSA) - O papa Francisco condenou neste sábado (3) o aumento do antissemitismo, na sequência da guerra entre Israel e o grupo fundamentalista islâmico Hamas, e voltou a pedir o fim da "espiral de violência" na Terra Santa.

Em uma extensa carta dirigida aos "irmãos e irmãs judeus de Israel", publicada pelo "L'Osservatore Romano", o Pontífice disse que todas as manifestações de ódio contra os judeus e o judaísmo são um pecado contra Deus, em um "ato que reafirma a sua proximidade a quem se sentiu, por vezes, negligenciado pela Igreja Católica" O argentino teria reforçado que seus apelos contra a ofensiva em Gaza não excluem a antiga relação de amizade e proximidade com o povo judeu.

"Juntamente com vocês, nós, católicos, estamos muito preocupados com o terrível aumento dos ataques contra judeus em todo o mundo", declara ele, ressaltando que "o caminho que a Igreja empreendeu convosco, antigo povo da aliança, rejeita todas as formas contra o judaísmo e antissemitismo".

Segundo o Santo Padre, atualmente se vive "uma espécie de 'guerra mundial aos pedaços', com graves consequências para a vida de muitas populações". "Infelizmente, também a Terra Santa não foi poupada desta dor e, desde 7 de outubro, está mergulhada numa espiral de violência sem precedentes", acrescenta.

Desde 7 de outubro, quando militantes do Hamas atacaram o sul de Israel e mataram cerca de 1,2 mil pessoas, o governo do premiê Benjamin Netanyahu deflagrou uma ofensiva na Faixa de Gaza, no qual provocou a morte de mais de 27 mil.

"O meu coração fica dilacerado ao ver o que está acontecendo na Terra Santa, pela força de tanta divisão e ódio. O mundo inteiro assiste com apreensão e tristeza ao que ocorre naquela Terra", escreve.

Francisco reforça ainda que esta guerra "também produziu na opinião pública mundial atitudes de divisão, que por vezes se traduzem em formas de antissemitismo" e de atos contra judeus.

Em seguida, o religioso deixa uma mensagem para os reféns ainda detidos pelo Hamas: "De maneira especial, rezamos pelo retorno dos reféns, nos alegramos por aqueles que já voltaram para casa e rezamos para que todos os demais se juntem a eles em breve".

"Gostaria também de acrescentar que nunca devemos perder a esperança de uma paz possível e que devemos fazer todo o possível para promovê-la, rejeitando todas as formas de derrotismo e desconfiança", enfatizou.

As palavras do Papa reiteram várias vezes a sua participação na dor daquela terra devastada pela guerra: "Sinto o desejo de vos assegurar a minha proximidade e o meu carinho. Um abraço a cada um de vocês, em particular, a todos aqueles consumidos pela angústia, dor, medo e até raiva".

Por fim, destacou que, "juntamente com vocês, lamentamos os mortos, os feridos, os traumatizados, implorando a Deus Pai que intervenha e ponha fim à guerra e ao ódio".

"Meu coração está próximo de vocês na Terra Santa, de todos os povos que nela habitam, israelenses e palestinos, e rezo para que o desejo de paz prevaleça sobre todos os corações da Igreja", concluiu o Papa.

De acordo com o L'Osservatore Romano, a carta foi enviada pelo Papa ao teólogo Karma Ben Johanan, um dos promotores de um apelo ao Pontífice assinado por cerca de 400 rabinos e estudiosos para a consolidação da amizade judaico-cristã após o ataque de 7 de outubro. (ANSA).