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Uma viagem pelos segredos da região etrusca na Toscana

Museus, aldeias e necrópoles são destaques de Grosseto a Vetulonia e Pitigliano

ROMA, 05 dezembro 2023, 11:23

Redação ANSA

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Região na Toscana tem museus, aldeias e necrópoles - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Na Maremma da província de Grosseto, com as Colline Metallifere ao norte e as colinas de tufo ao sul, Vetulonia, Massa Marittima, Sovana, Pitigliano e Sorano são os grandes e pequenos centros de origens muito antigas.

Com os seus museus, palácios e necrópoles, as áreas são algumas das mais belas páginas da história antiga deste recanto da Toscana, uma terra fértil e generosa, rica em metais e fontes termais, vinhas e olivais, costas e caminhos selvagens.

Atravessá-la significa fazer uma viagem pela história, mistério e cultura de um grande povo que viveu entre os séculos VIII e II a.C., com língua e origens indecifráveis.

Dedicados ao comércio e à intensa atividade econômica, os etruscos instalaram-se durante séculos no Mediterrâneo Ocidental, até que, da segunda metade do século V ao século II a.C., as suas cidades-estados e a sua cultura refinada desapareceram, esmagados pela supremacia grega primeiro e depois romana.

Felizmente, o seu culto ao além nos deixou provas importantes: através das necrópoles trazidas à luz pelas escavações descobrimos a sua economia, o seu cotidiano, a organização do seu exército, a sua arte, o seu interesse pela música.

Um monte, uma edícula, em forma de cabanas escavadas no tufo e cobertas por uma laje de pedra, um baú, um nicho: os túmulos etruscos, grandes obras de engenharia, revelaram numerosos objetos que acompanharam a viagem dos falecidos e que hoje constituem achados preciosos como armas, joias, vasos, ânforas de vinho, garrafas de grãos, joias e escaravelhos egípcios, muitos dos quais podem hoje ser admirados em toda a sua modernidade em vitrines de museus.

Das escavações nos túmulos descobrimos as suas moedas, as primeiras a serem utilizadas na Itália, compreendemos que as mulheres se maquiavam enquanto se olhavam em espelhos de bronze polido e que não só os homens usavam lanças, espadas e capacetes.

A viagem à descoberta dos etruscos na Maremma grossetana começa em Grosseto, que acolhe o museu arqueológico mais importante da região, o Maam, ponto de referência para a extraordinária coleção de achados etruscos provenientes de todo o território toscano e, em particular, das escavações realizadas em Roselle, norte da cidade.

O museu cívico arqueológico e de arte de Maremma, instalado em três andares no Palazzo del Vecchio Tribunale, acolhe exposições temporárias, oficinas educativas e coleta achados etruscos (joias, cerâmicas, moedas, pedras esculpidas, estátuas de bronze, urnas cinerárias), objetos nas 40 salas da época pré-histórica, um grande acervo de estátuas romanas e testemunhos artísticos medievais e renascentistas.

A cerca de 20 quilômetros fica Vetulonia, uma pequena aldeia famosa em todo o mundo pelas bem-sucedidas campanhas arqueológicas dirigidas por Isidoro Falchi, médio e amante da arte antiga, que escavou ao longo da ribeira Bruna. Foi precisamente lá que surgiu uma das maiores cidades da Dodecápolis etrusca, citada por Plínio como uma "cidade rica perto do mar".

Hoje, o local é uma aldeia muito pequena que merece uma visita pela zona arqueológica, aberta apenas à tarde, onde foram encontradas necrópoles da era "villanoviana", nove séculos antes de Cristo, nos primórdios da Idade do Ferro. E pelo museu cívico, dedicado ao famoso arqueólogo Falchi.

Ao todo, são sete salas em dois andares que abrigam preciosos achados etruscos, exposições temporárias e oficinas, acessíveis a todos graças a um caminho com plataforma e mapas áudio-táteis para deficientes visuais.

A viagem continua no coração da Colline Metallifere em direção a Massa Marittima, cidade famosa pela mineração - à qual foi dedicado o museu Subterrâneo com visita a uma mina - e algumas joias românicas, incluindo a Catedral, com vista para a Piazza Garibaldi, bela e em formato irregular.

No local, no antigo Palazzo del Podestà, funciona o museu arqueológico Giovannangelo Camporeale, que reúne um rico acervo organizado cronologicamente, desde o Paleolítico Inferior até a era etrusca. Entre as joias expostas destaca-se a estátua-estela eneolítica de Vado all'Arancio, um estranho menir do século III a.C. que representa uma criatura que, pela posição das mãos apoiadas no colo, poderia ser uma divindade ligada ao culto da deusa mãe.

Nas vitrines também há utensílios de cozinha, pesos de tear e de pesca, objetivo funerários, fivelas de bronze, porta-vasos de ferro e armas de bronze. No térreo há uma seção educativa com reconstrução de cavernas em tamanho real, atividades educativas e filmes.

A maior parte destes achados etruscos provém de escavações realizadas nas redondezas, perto da aldeia do Lago Accesa, onde foram encontradas necrópoles e povoações etruscas.

Também é agradável passear ao longo do lago, pequeno mas rico em flora e fauna, cuja origem cárstica, um buraco muito profundo, deu origem a lendas, incluindo a de um monstro que supostamente vive nas suas profundezas.

A estrada continua em direção às colinas de tufo e às ruas das pedreiras até Pitigliano, um lugar mágico onde as casas surgem da rocha perfurada escavada no tufo.

Cidade etrusca e depois romana, foi dominada por famílias poderosas como os Orsini e, no século XV, por uma colônia de judeus, cuja sinagoga e gueto ainda hoje são visitados, razão pela qual é chamada de Pequena Jerusalém.

Além do aqueduto Orsini, que se abre para o campo com 15 arcos, vale a pena visitar o museu arqueológico Enrico Pellegrini, localizado numa ala do Palazzo Orsini. Lá estão expostos vasos com decoração geométrica, cerâmicas e achados de escavações próximas.

A apenas 9 km de distância, no topo de uma falésia de tufo, fica Sorano, uma vila etrusca de beleza única: aqui o Masso Leopoldino, a fortaleza Orsini com seu museu histórico, o gueto e a Caverna Vie, ruas a céu aberto escavadas pelos etruscos no tufo.

Por fim, há Sovana com o museu San Mamiliano e achados do período etrusco ao início da Idade Média, que contam a história milenar da região.

Estas aldeias fazem parte da "Via das cidades etruscas", um conjunto de percursos que percorrem os 170km do Parque Nacional Colline Metallifere, acessíveis a pé, a cavalo, de bicicleta e que atravessam caminhos já existentes, como as rotas históricas e itinerários culturais, da Via Clodia à Francigena.
   

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