Brasil hoje é líder em qualidade no café, diz Andrea Illy

Executivo indicou que o país é resiliente às mudanças climáticas

Andrea Illy, presidente da empresa italiana illycaffè (foto: ANSA)
Andrea Illy, presidente da empresa italiana illycaffè (foto: ANSA)

(ANSA) - O presidente da empresa italiana illycaffè, Andrea Illy, afirmou nesta quinta-feira (21) que o Brasil, maior produtor global de café, é hoje também um líder em termos de qualidade e que o país está bem posicionado para se adaptar às mudanças climáticas que ameaçam lavouras mundo afora.

O executivo está em São Paulo para a entrega do 33º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso, que homenageia desde 1991 os melhores produtores do país e marcou o início do relacionamento direto entre a illy e os cafeicultores nacionais, mecanismo mais tarde expandido para outras nações. 

Um dos vencedores da edição passada, a São Mateus Agropecuária, fazenda do Cerrado Mineiro, faturou o último Prêmio Internacional de Café Ernesto Illy, conquista inédita para um produtor brasileiro.

"É um feito que no ano passado o Brasil ganhou o prêmio de melhor café do mundo, comprovando que não é somente um líder em quantidade, mas também em qualidade", afirmou Illy durante uma coletiva de imprensa na capital paulista.

Também em 2023, a illycaffè lançou, em parceria com produtores do Cerrado Mineiro, o primeiro café no mundo com certificação de origem 100% proveniente da agricultura regenerativa, bandeira da empresa e que prevê enriquecimento do solo com carbono orgânico para garantir sua viabilidade em longo prazo, diminuir as emissões de CO2 e melhorar a saúde do ecossistema local.

A agricultura regenerativa é a espinha dorsal da estratégia da marca de Trieste para combater os efeitos da crise climática, que pode comprometer 50% das terras atualmente cultiváveis até 2050.

"Isso é um problema muito grande, mas em particular fora do Brasil", disse Illy, destacando que o gigante sul-americano já apresenta uma grande capacidade de se adaptar às mudanças climáticas graças à crescente eficiência na produção, à diversidade de ecossistemas e à grande quantidade de terras degradadas que poderiam abrigar novos plantios de café.

"Se uma região se torna difícil para produzir, é possível migrar para outra, o que já aconteceu nos anos 1970, quando os produtores do Paraná migraram para o Cerrado", acrescentou.

Quanto ao mercado final, o executivo destacou que o café já é uma bebida bastante disseminada entre os brasileiros e que é difícil esperar um "boom" no consumo. "Mas o Brasil pode aumentar o segmento de alta qualidade", disse. (ANSA)