Fitch eleva nota de crédito do Brasil

Agência apontou 'desempenho fiscal melhor que o esperado'

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto: ANSA)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto: ANSA)

(ANSA) - A agência de classificação de risco Fitch elevou nesta quarta-feira (26) a nota de crédito do Brasil de "BB-" para "BB", com perspectiva estável.

Segundo a agência, a mudança na avaliação do risco do país reflete "um desempenho macroeconômico e fiscal melhor que o esperado". A Fitch ainda disse acreditar que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva "trabalhará por melhorias adicionais".

"Apesar das tensões políticas persistentes desde 2018, o Brasil tem progredido em importantes reformas. O novo governo de esquerda liderado por Lula defende uma mudança em relação à agenda econômica liberal de governos anteriores, mas a Fitch espera que o pragmatismo e os amplos mecanismos institucionais de controle impeçam desvios macro ou microeconômicos radicais, enquanto o governo também busca iniciativas para apoiar o setor privado", afirma a agência.

Apesar da elevação, a nota "BB" ainda é considerada "grau especulativo" e está dois patamares abaixo do cobiçado "grau de investimento", que começa em "BBB-" e serve como um selo de bom pagador para balizar os aportes de fundos no mundo todo.

A Fitch já concedeu o "grau de investimento" ao Brasil em 2008, mas rebaixou o país novamente para "grau especulativo", que começa em "BB+", em dezembro de 2015, em meio à crise econômica que marcou o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

O "grau especulativo" significa que o país ainda apresenta incertezas sobre condições econômicas adversas, embora seja menos vulnerável em curto prazo.

Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), comemorou a decisão da Fitch de elevar a nota de crédito do país de BB- para BB.

"Eu sempre disse e continuo acreditando que a harmonia entre os poderes é a saída para que nós voltemos a obter grau de investimento", declarou Haddad, que recentemente emplacou a aprovação da reforma tributária na Câmara dos Deputados.

"Um país do tamanho do Brasil não tem sentido não ter grau de investimento, não tem cabimento esse país viver o que viveu nos últimos 10 anos", acrescentou. (ANSA)