Representantes da Itália no G20 fazem balanço econômico

Por divergências, cúpula econômica termina sem comunicado final

Trilha de finanças do G20 (foto: EPA)
Trilha de finanças do G20 (foto: EPA)

(ANSA) - Por Patrizia Antonini - A resiliência geral da economia global, apesar dos choques dos últimos anos, "é superior ao que esperávamos", embora o "pico de crescimento global" esperado seja "ainda insatisfatório e heterogêneo entre os países". E, apesar da inflação estar "caindo rapidamente, mais rapidamente do que o esperado apenas alguns meses atrás", a eventual decisão de flexibilizar a política monetária "será tomada com base em uma clara evidência de uma trajetória estável de retorno à dinâmica dos preços".

Esta é a clara fotografia da situação econômica do G20 traçada pelo governador do Banco da Itália, Fabio Panetta, que, junto com o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, participou dos dois dias de trabalhos em São Paulo, no Brasil, onde ministros das Finanças e governadores de bancos centrais se reuniram.

Uma reunião econômica em São Paulo que, em suas últimas etapas, viu uma negociação intensa sobre o comunicado final. Mais um enfeite do que uma necessidade, uma vez que o G20 - do qual a Rússia faz parte - não é um fórum executivo (e para fazer o comunicado é necessária unanimidade), mas um episódio que mais uma vez destacou o quão difícil é encontrar neste conselho "uma formulação clara e nítida sobre a condenação a Moscou pela Ucrânia", como destacou Giorgetti. A insistir sobre o ponto da guerra na Ucrânia, foi particularmente o ministro das Finanças alemão, Christian Lindner.

O responsável pelo Ministério da Economia e Finanças então ressaltou como "os dados da Itália são positivos e talvez até melhores do que outros”.

“O aperto na política monetária tinha um objetivo claro, de levar a inflação à meta. Provavelmente ainda não atingimos essa meta, mas neste momento talvez um afrouxamento nas taxas possa contribuir para uma situação de crescimento econômico que está estagnada em toda a Europa”, afirmou.

“Depois disso a política monetária é autônoma e independente, este é um desejo com o qual acredito que toda a classe política, não apenas italiana, concorde", ele destacou.

Falando então sobre privatizações e dívida pública, Giorgetti lembra que o Ministério da Economia e Finanças tem "um plano".

"Não é que a privatização gere crescimento por si só, quando não é necessário deter participações acionárias ou um certo montante delas, o Estado pode desempenhar seu papel mesmo sem esse tipo de participações”, ele comentou.

“Preferimos usar o termo 'racionalização', que em alguns casos significa privatização, mas em outros não. Se você olhar o que acontecerá com a rede Netco, alguém poderia argumentar que não se trata de uma privatização, mas pelo contrário, talvez de uma operação reversa. Acredito que em 2024, o raciocínio que um governo deve fazer não é o que deveria fazer nos anos 60        ou 80 e, portanto, a presença direta da mão pública deve ser considerada em relação às necessidades. E isso é o que estamos fazendo com grande prudência e igual decisão".

"O que tivermos em mente para fazer, faremos também nas condições de preço que sejam mais benéficas para o interesse público. A privatização da Ita foi estrondosamente reprovada,  mas não por vontade do governo italiano. Por isso, vocês devem perguntar a outros, não a mim", acrescentou.

Em seus raciocínios sobre a Itália, Giorgetti sempre convida ao realismo. "A Itália não vive fora do mundo mas em um contexto em que há outras economias que estão enfrentando dificuldades, como a alemã, e inevitavelmente isso repercute em nós. Realizamos intervenções que devolveram um mínimo de poder de compra, a queda da inflação deveria de alguma forma ajudar a demanda, mas as discussões que tivemos também aqui no G20 levantam um problema de competitividade para a Europa, sobre o qual começamos a discutir com 'a lição de Mario Draghi' na semana do Ecofin que questiona o futuro da economia europeia", ele afirma.

"A Itália deve ver como promover o crescimento e controlar as contas públicas destruídas por políticas criminosas como a do super bônus, que ainda pesarão por alguns anos nas finanças públicas e em nossas dívidas", conclui Giorgetti.

 (ANSA).