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Berlusconi, o outsider que legitimou a direita

Berlusconi, o outsider que legitimou a direita

Líder teve carreira de sucessos políticos e processos sem fim

ROMA, 12 junho 2023, 08:41

Redação ANSA

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Silvio Berlusconi liderou seu partido até sua morte - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

(ANSA) - O ex-premiê Silvio Berlusconi, morto aos 86 anos de idade, foi durante três décadas o líder indiscutível dos moderados, aqueles às quais propunha repetidamente mais bem-estar e menos impostos, e de uma formação política que não existia antes dele, a centro-direita.

Por todas essas razões, Berlusconi era também o demônio da esquerda, o totem negativo daqueles que se horrorizavam com a mistura de política e negócios e não o perdoavam por governar controlando um império midiático que desempenhou um papel importante em sua rápida ascensão ao poder.

Antes de sua "descida ao campo", Berlusconi já era um empresário de sucesso que, começando como jovem esperançoso e ocasionalmente cantor em navios de cruzeiro, construiu bairros residenciais em Milão, lançou TVs privadas que quebraram o monopólio da estatal RAI e comprou uma poderosa equipe de futebol, o Milan. Até então, seu interesse pela política limitava-se às repercussões que as decisões tomadas no Parlamento podiam ter nas suas empresas.

Foi somente com o colapso da Primeira República provocado pela Operação Mãos Limpas que Berlusconi se convenceu de que só ele poderia deter o avanço dos pós-comunistas, que pareciam destinados à vitória no início dos anos 1990. Para ter sucesso na empreitada, ele zarpou com atitude de pirata, arquivando a ortodoxia democrata-cristã em um piscar de olhos e desenraizando da noite para o dia as estacas que bloqueavam o crescimento de uma força de centro-direita.

Na campanha eleitoral de 1994, Berlusconi triunfou também em função de seu domínio do meio televisivo, e sua chegada ao governo marcou a abertura de uma nova era política, com os rituais da Primeira República jogados ao sótão.

A legislatura começou sob a bandeira da arrogância dos vitoriosos, mas terminou já em 1995 com uma bofetada dupla: um aviso de investigação durante o G7 de Nápoles e um escândalo que envolvia seu aliado Umberto Bossi.

Berlusconi tentou reagir na legislatura seguinte e aprimorou suas habilidades como político, chegando a monopolizar o debate no país seja quando estava no governo, seja na oposição.

Seu segundo governo (2001 a 2006) teve início sob o impulso do "contrato com os italianos", assinado ao vivo em um popular talk show da RAI e ridicularizado pelos adversários, mas que provavelmente lhe garantiu os votos necessários para vencer.

Esse foi seu período mais longo de governo, no qual Berlusconi dedicou grande parte do tempo para se defender das acusações que chegavam do Ministério Público. Datam dessa época as leis ad personam que foram aprovadas pelo Parlamento para resolver os crescentes problemas judiciais do então premiê.

Berlusconi não conseguiu escapar da radicalização do debate e, em 2006, pagou com a perda de uma fatia de seu eleitorado, com as urnas premiando a centro-esquerda liderada por Romano Prodi.

Mas ele não se deu por vencido. Entre pressões políticas e manobras de bastidores, o líder conservador conseguiu antecipar o fim do governo e voltar ao poder em 2008.

No entanto, o já veterano político não pôde fazer nada em 2011, quando a crise da dívida italiana o levou a se despedir precocemente do Palácio Chigi, sob os sorrisos irônicos de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy.

Condenado por fraude fiscal em 2013, Berlusconi teve o mandato de senador cassado naquele ano e ficou inelegível até 2018. Depois disso, foi eleito eurodeputado em 2019 e novamente senador em 2022.

Em seus anos na política, Berlusconi foi réu em diversos processos, e a sentença de 2013 chegou quando ele já se mostrava enfraquecido por causa do escândalo de prostituição nas noitadas com garotas de programa em sua mansão em Arcore, o chamado "bunga-bunga".

Os vícios privados do ex-premiê e seu talento político acompanharam o último trecho de sua parábola, com uma perda gradual da liderança política.

Com o advento de uma direito mais soberananista, seu partido, o Força Itália (FI), começou a perder membros e apoio político e hoje está abaixo dos dois dígitos nas pesquisas, se mantendo de pé graças à liderança do seu fundador.

O partido de Berlusconi atravessou o tempo com o mesmo timoneiro intocável acompanhado por pupilos que nunca se tornaram adultos. Até o fim, o ex-premiê nunca desistiu: venceu doenças, superou operações cardíacas e até decepções políticas.

E ainda esteve lá para liderar a delegação do FI após a vitória da direita que levou Giorgia Meloni ao poder. (ANSA)

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