Mattarella homenageia vítima da ditadura de Pinochet no Chile

Mattarella depositou rosa em memorial dedicado à vítima de ditadura (foto: ANSA)
Mattarella depositou rosa em memorial dedicado à vítima de ditadura (foto: ANSA)

(ANSA) - O presidente da Itália, Sergio Mattarella, depositou nesta quarta-feira (5) uma rosa ao monumento dedicado a Lumi Videla, uma vítima da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), durante sua visita ao Chile.

"Agora prestamos homenagem à figura de Lumi Videla, elevada a um dos símbolos das vítimas da violência da ditadura liderada pelo general Pinochet, da violação do Estado de Direito e das convenções internacionais, do horror perpetrado contra a vida e a dignidade dos chilenos e contra a própria vocação pelas forças armadas e pelas forças de ordem", afirmou Mattarella.

Videla era uma estudante de pedagogia e dirigente do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR) e foi sequestrada em 21 de setembro de 1974. Dias depois, no entanto, seu corpo foi lançado no jardim da embaixada da Itália em Santiago.

"Aqui, em Santiago, esta Embaixada estava em pleno funcionamento naqueles anos, apesar do não reconhecimento por parte da República Italiana da situação, de fato, gerada pelo golpe de estado, tornando-se um ponto de referência para centenas de perseguidos, salvando suas vidas, oferecendo-lhes refúgio", acrescentou Mattarella.

A ministra do Interior do Chile, Carolina Toha, também fez o mesmo gesto em memória de Videla.

Em discurso na Embaixada da Itália em Santiago, Mattarella lembrou dos 50 anos da morte do presidente chileno, Salvador Allende, e recordou a sua figura como "mártir da democracia".

"Muitas coisas aconteceram, mas é justo ressaltar que o fio da democracia chilena nunca foi interrompido", lembrou ele, reforçando que "houve uma ruptura democrática e o Chile experimentou as consequências no isolamento internacional que caracterizou aquele período, mas os torturados, os exilados, os refugiados, vítimas do regime representaram as raízes e os valores transmitidos que permitiram à democracia chilena recuperar a preponderância e o seu lugar na América Latina e no cenário internacional".

Por fim, Mattarella explicou que no próximo ano completam-se 170 anos desde o início das relações diplomáticas entre a Itália e o Chile, e 2024 marcará também o centenário da abertura das respectivas embaixadas em Santiago e Roma.

"Permitam-me expressar a esperança, aliás a certeza, de que as nossas relações possam intensificar-se em linha com os valores que as têm caracterizado", concluiu. (ANSA).