Partido de Salvini acusa Alemanha de apoiar invasão de migrantes

Político da Liga comparou financiamento de ONGs à 2ª Guerra

Alemanha vai financiar ONGs de salvamento de migrantes (foto: ANSA)
Alemanha vai financiar ONGs de salvamento de migrantes (foto: ANSA)

(ANSA) - O vice-secretário do partido italiano Liga, Andrea Crippa, fez acusações contra a Alemanha nesta terça-feira (26), afirmando que o país financia a crise migratória pela qual passa a Itália.

"Estão tentando desestabilizar o governo através do financiamento de ONGs para nos lotar de [migrantes] clandestinos e derrubar o consenso da centro-direita na Itália", declarou a Affaritaliani.it.

Ele ainda fez referência à Segunda Guerra Mundial: "Há 80 anos o governo alemão decidiu invadir os países com o Exército, mas acabou mal. Agora financiam a invasão dos clandestinos para desestabilizar os governos dos quais os social-democratas não gostam".

"É evidente que o governo alemão não quer que a centro-direita governe na Itália. Fazem de tudo para colocar o governo italiano em dificuldade, na esperança de fazê-lo cair", concluiu.

A Liga é um dos partidos da base do governo da premiê da Itália, Giorgia Meloni. As declarações imediatamente repercutiram mal, especialmente entre políticos de oposição.

O deputado e fundador da sigla europeísta +Europa, Benedetto della Vedova, criticou: "O vice-secretário da Liga de [Matteo] Salvini escolheu o dia em que o presidente da Alemanha [Frank-Walter Steinmeier] estava na Itália, para fazer tributo a Giorgio Napolitano, para uma sóbria equiparação entre o nazismo e o financiamento de ONGs que operam no Mediterrâneo por Berlim".

"Crippa deveria saber que na Alemanha vivem e chegam mais migrantes que na Itália, mas não é esse o ponto: a base do governo novamente inventa um inimigo imaginário para atribuir as próprias dificuldades internas. Mas esse ataque violento e sem sentido por parte da cúpula do segundo partido do governo à Alemanha enfraquece unicamente a Itália", concluiu.

O secretário da mesma sigla, Riccardo Magi, classificou a declaração de Crippa como "além do limite do delírio".

O co-porta-voz nacional da Europa Verde e deputado da Aliança Verde e Esquerda (AVS), Angelo Bonelli, disse: "Alguém lembre a Crippa que a Itália também estava invadindo aqueles países, então aliada da Alemanha. E que hoje seu partido é aliado e governa com os netos de [Benito] Mussolini".

Na segunda-feira (26), Meloni enviou uma carta ao chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, para protestar contra a decisão de Berlim de financiar uma ONG que realiza operações de resgate no Mediterrâneo.

Cerca de 790 mil euros (R$ 4,15 milhões) serão repassados pelo governo alemão para a entidade humanitária SOS Humanity, no âmbito de um programa de 2 milhões de euros (R$ 10,5 milhões) que também apoiará projetos de acolhimento a deslocados internacionais na Itália.

A iniciativa provocou incômodo no governo Meloni, que acusa as ONGs do Mediterrâneo de agirem como "fator de atração" para migrantes e refugiados, embora elas sejam responsáveis por menos de 10% dos deslocados internacionais que chegam ao país por via marítima.

O governo italiano já instituiu no início do ano um decreto que limitou as atividades de ONGs do Mediterrâneo, que agora só podem realizar um resgate por missão e frequentemente são orientadas a levar os náufragos para portos distantes, reduzindo seu tempo nas áreas mais críticas.

Mesmo assim assim, o número de chegadas à Itália segue em alta e já totaliza 133 mil em 2023, quase o dobro do mesmo período do ano passado. (ANSA).