Ex-secretário dos EUA Henry Kissinger morre aos 100 anos

Premiê da Itália lamentou morte do ex-diplomata

Meloni se reuniu com Kissinger em julho passado (foto: ANSA)
Meloni se reuniu com Kissinger em julho passado (foto: ANSA)

(ANSA) - O ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, morreu na noite da última quarta-feira (29) aos 100 anos, segundo a Kissinger Associates Inc.

A causa da morte ainda não foi revelada, mas o ex-diplomata faleceu em sua residência, em Connectitcut.

Kissinger completou 100 anos em maio passado e continuou ativo apesar da idade. Ele, inclusive, realizou uma visita surpresa a Pequim em julho para se reunir com o presidente Xi Jinping e à Itália, onde encontrou a premiê Giorgia Meloni.

Nascido na Alemanha em 1923, Kissinger foi para os Estados Unidos em 1938, quando sua família fugiu do nazismo. Em 1943, ele se tornou cidadão norte-americano.

Kissinger ganhou fama nos anos 1970 por sua atuação como secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional dos EUA nos governos dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford.

Ao longo de sua carreira diplomática, liderou esforços diplomáticos em relação à China, teve um papel principal nos Acordos de Paz de Paris para encerrar a guerra do Vietnã, além de auxiliar na negociação para o fim do conflito do Yom Kippur de 1973 entre Israel e seus vizinhos.

Autor da famosa frase "o poder é o afrodisíaco máximo", Kissinger deixará um legado que continuará a ser discutido entre aqueles que o consideram um gênio diplomático e aqueles que o tem como um gênio do mal.

Manipulador astuto e influente até os últimos dias, o ex-secretário de Estado considerava o mundo como um quebra-cabeça gigante em que cada peça desempenhava um papel importante e distinto em direção a um único objetivo: os Estados Unidos como superpotência internacional.

Diversos políticos, incluindo italianos, lamentaram a morte de Kissinger. A primeira-ministra Giorgia Meloni enfatizou que ele "foi uma referência para a política estratégica e a diplomacia mundial".

"Foi um privilégio ter tido recentemente a oportunidade de discutir com ele os vários temas da agenda internacional. O seu falecimento nos entristece e expresso as minhas condolências pessoais e as do governo italiano à sua família e entes queridos", escreveu ela em nota.

Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse querer lembrar de Kissinger, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, como "amigo da Itália e defensor convicto das relações transatlânticas".

"Pilar da diplomacia, os jovens aprenderão com seus escritos a arte do diálogo e de negociação sempre para o bem dos equilíbrios globais", concluiu o chanceler italiano. (ANSA).