Brasil elogia medidas adotadas pela Itália contra dengue

Secretária de Vigilância em Saúde disse que decisões são 'justificadas'

Brasil tem sido duramente afetado pela dengue (foto: EPA)
Brasil tem sido duramente afetado pela dengue (foto: EPA)

(ANSA) - Por Luigi Spera - A secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde do Brasil, Ethel Maciel, afirmou que a Itália "fez bem" em elevar o nível de alerta nas fronteiras e em "adotar todas as medidas" para evitar a importação do mosquito aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue.

Em entrevista à ANSA, ela classifica as decisões como "medidas justificadas" e garante que "é importante manter a guarda elevada".

"Sabemos que com as alterações climáticas muitos vírus são capazes de se adaptar a novos ambientes, por isso é necessária cautela, dadas as fronteiras cada vez mais fluídas", explicou a epidemiologista.

O Brasil, com mais de um milhão de casos, é o país no epicentro do vírus. "Segundo a OMS, com as mudanças climáticas muitos vírus conseguirão se adaptar a novos ambientes, por isso devemos ter cuidado, como faz a Itália, com o mosquito Aedes aegypti, que, se proliferar, começaria a gerar infecções a partir de casos importados", acrescentou Maciel.

A secretária lembrou ainda que "o Brasil também havia erradicado a dengue ao eliminar o responsável por sua disseminação. Mas o mosquito voltou na década de 1980, trazendo a doença novamente".

Maciel destacou que a causa do aumento da incidência no país também está ligada às mudanças climáticas. Na verdade, a passagem do El Niño criou as condições para a proliferação do Aedes aegypti.

O Brasil, que enfrenta a pior crise epidêmica dos últimos anos, já registrou 1.038.475 casos confirmados - 400% a mais que em 2023 -, enquanto 258 mortes foram confirmadas.

No entanto, segundo o ministério brasileiro, o momento "atípico" não se traduz na necessidade de decretar estado de emergência sanitária. "Temos muitos casos mais graves, mas a letalidade é de 0,02%, inferior ao limite de 5% da OMS e muito inferior aos 10% que registramos em 2016", justificou ela.

"Isso porque o aumento era esperado e estávamos nos preparando desde o ano passado. Só não esperávamos uma antecipação do pico de infecções, que normalmente ocorre no final de março", continuou.

De acordo com Maciel, "graças à experiência e competência dos nossos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SUS), sabemos fazer o diagnóstico rapidamente e oferecer o melhor tratamento, que quase sempre é apenas a hidratação dos pacientes, sem a necessidade de grandes tecnologias.

A epidemiologista revelou à ANSA que "quem mais adoece hoje são os jovens entre 20 e 40 anos, mas quem morre são principalmente os idosos acima de 70 anos com outras doenças crônicas".

Desde o ano passado, a vacina oferece uma arma adicional no combate à dengue, antes limitada apenas ao controle da propagação do 'aedes aegypti'.

"É a maior inovação dos últimos 40 anos. É por isso que desde o início decidimos incorporar a vacina na nossa oferta, comprando mais de 95% da produção e reservando tudo o que a empresa poderá produzir no próximo ano", acrescentou ela, lembrando que "a produção é limitada".

Por fim, Maciel disse que "está sendo estudada uma parceria para transferir a produção para o Brasil, na Fundação Osvaldo Cruz, e o instituto Butantan iniciou a fase três de testes de sua vacina". "Não pensamos em eliminar a dengue em 2024 ou 2025, mas com disponibilidade em larga escala vemos a luz no fim do túnel", concluiu. (ANSA).