UE cobra G20 a implementar imposto contra multinacionais

Gentiloni também destacou discussões sobre desigualdades

O comissário de Economia da UE, Paolo Gentiloni (foto: ANSA)
O comissário de Economia da UE, Paolo Gentiloni (foto: ANSA)

(ANSA) - O comissário de Economia da União Europeia, Paolo Gentiloni, cobrou nesta quarta-feira (28) que os membros do G20 implantem um imposto mínimo de 15% sobre os lucros de multinacionais.

"É essencial que o G20 permaneça firmemente empenhado em completar a implantação da histórica reforma da taxação societária com dois pilares", disse Gentiloni à ANSA ao chegar para uma reunião do G7 no âmbito da cúpula dos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, em São Paulo.

"A implementação do primeiro pilar desse acordo de 2021, sobre a redistribuição dos direitos de taxação para as maiores multinacionais, exige a assinatura de uma convenção multilateral, e o G20 deve lançar um claro apelo a fim de que isso ocorra até junho deste ano", acrescentou o comissário europeu.

"No que diz respeito ao segundo pilar, que estabelece uma alíquota fiscal efetiva mínima de 15%, a UE dá o exemplo. Em prazo recorde, aprovamos uma diretiva para implementar essa reforma, e a maior parte dos nossos Estados-membros está implementando a legislação neste ano. Convidarei todos os nossos parceiros globais a começar a aplicar esse passo, fundamental para uma taxação equânime, sem mais delongas", disse.

Gentiloni também destacou que a reunião do G20 terá uma "importante discussão sobre as desigualdades globais", uma "prioridade da presidência brasileira" no grupo e que é "compartilhada" pela UE.

"Para enfrentar esse desafio imenso, exacerbado pelas mudanças climáticas, precisamos de uma combinação de reformas inteligentes e investimentos sustentados", reforçou o italiano à ANSA.

Segundo o comissário, é preciso "acelerar o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que exigem tanto uma abordagem abrangente sobre o financiamento do desenvolvimento quanto o alívio da dívida dos países em dificuldade".

"Igualmente importante é o trabalho em curso no Fundo Monetário Internacional [FMI] e no Banco Mundial para ajudar os países de baixa renda a lidar com crises de liquidez, a tempo de evitar que caiam em dificuldades de endividamento", salientou. (ANSA)