Após missão na Itália, cidade gaúcha planeja Museu da Imigração

Garibaldi, no Vale dos Vinhedos, mira intercâmbio em Enologia

Decoração de Natal em Garibaldi (RS) (Foto: Divulgação/Prefeitura de Garibaldi) (foto: ANSA)
Decoração de Natal em Garibaldi (RS) (Foto: Divulgação/Prefeitura de Garibaldi) (foto: ANSA)

(ANSA) - Por Nadedja Calado - Planos para instalar um Museu da Imigração Italiana e criar um programa de intercâmbio em enologia foram alguns dos resultados de uma missão oficial da cidade de Garibaldi, no Rio Grande do Sul, à Itália.

Entre os dias 15 e 23 de novembro, a delegação gaúcha passou por diversas regiões no âmbito da "Missão Itália 2023", em uma viagem composta por uma série de visitas técnicas e encontros com autoridades, em busca de trocar experiências e viabilizar investimentos.

Entre os principais objetivos estavam a assinatura de um pacto de amizade com a cidade de Follina e de "gemellaggio" (tratado de cidades-irmãs) com Conegliano, ambas no Vêneto, como explicou à ANSA o prefeito de Garibaldi, Sérgio Chesini (PP).

"Garibaldi é a capital nacional do espumante, e Conegliano é a região do Prosecco. Somos uma cidade pequena, muito turística, colonizada em 1875 por imigrantes italianos, principalmente do Vêneto. Então é um retorno às origens, uma aproximação com essas comunidades de onde vieram nossos avós, bisavós e tataravós", afirmou.

A comitiva contou com representantes parlamentares, empresários e associações de produtores. "Focamos nos campos da cultura, enogastronomia, enoturismo, indústria e agroindústria", explicou o prefeito, elencando reuniões em órgãos públicos, empresas, cantinas de vinhedos, destilarias, restaurantes e escolas de formação.

Com alguns desses lugares, a prefeitura começou a articular a criação de programas de intercâmbio e cursos, mirando capacitar jovens garibaldenses nas áreas de relevância econômica para o município. Um dos locais de interesse é a Escola Enológica de Conegliano, uma das mais antigas do tipo.

Já em um encontro com o governador do Vêneto, Luca Zaia, em Veneza, começaram a ser traçados planos para a comemoração dos 150 anos da imigração italiana no Brasil, que em Garibaldi começou um ano depois das primeiras chegadas organizadas ao país. Com isso, no município gaúcho, a efeméride vai se estender até 2025.

"Fomos estreitar relacionamentos na área turística e, junto ao cônsul-geral da Itália em Porto Alegre, Valerio Caruso, abrimos portas para esses vários eventos, buscando realmente resgatar a história e a memória dos imigrantes", contou Chesini.

"Para 2025, está prevista a abertura do Museu da Imigração Italiana, um intercâmbio entre corais e outros projetos na área cultural. Também vamos incentivar o estudo do 'talian', nossa versão do dialeto vêneto. Mas já vamos começar a comemorar em 2024, com um festival de cinema italiano, por exemplo", acrescentou.

O aniversário da imigração também vai ser uma oportunidade para promover a visitação a Garibaldi, uma das três pontas do Vale dos Vinhedos (junto com Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul), na Serra Gaúcha, a 120 quilômetros da capital Porto Alegre. Segundo o prefeito, a cidade quer ser "promovida" de local de passagem a destino turístico.

"Temos 76 vinícolas, nosso interior é muito bonito e temos uma gastronomia requintada. Estamos ampliando em 1160 o número de leitos. No último ano, tivemos um crescimento de 22 mil visitantes. É uma cidade de porte médio, com farta gastronomia e hospitaleira. A família de turistas é acolhida junto à família garibaldense", garantiu Chesini.

Nessa busca por novos visitantes, os italianos serão convidados de honra. A cidade está em contato com associações de "oriundi" de diversas origens no mundo, como Pádua, Trento e Vêneto. "Vamos fazer esse intercâmbio com cerca de entre seis e oito entidades e daremos todo o suporte para que os italianos venham a Garibaldi e conheçam a nossa Cocanha [país mitológico de fartura e hedonismo]", concluiu o prefeito. (ANSA).