Hamas se diz aberto a estender trégua com Israel

Negociações para prorrogar o acordo estão em curso

Memorial por vítimas do Hamas perto da fronteira com a Faixa de Gaza (foto: EPA)
Memorial por vítimas do Hamas perto da fronteira com a Faixa de Gaza (foto: EPA)

(ANSA) - Uma fonte ligada ao Hamas disse que o grupo fundamentalista estaria disposto a estender a trégua com Israel por mais quatro dias, até o próximo domingo (3).

O cessar-fogo entrou em vigor na última sexta-feira (24), com prazo inicial de quatro dias, e foi estendido por mais dois, até esta quarta (29).

"O Hamas informou aos mediadores que deseja estender a trégua e seria capaz de libertar prisioneiros israelenses", disse uma fonte citada pela agência AFP. Em troca, o grupo espera a soltura de palestinos mantidos em prisões em Israel.

Já a imprensa egípcia, citando "fontes oficiais" do Cairo, publicou que há um acordo preliminar para prorrogar a trégua por dois dias, com mediação do Catar, dos Estados Unidos e do próprio Egito.

No entanto, o pacto dependerá da capacidade do Hamas de libertar pelo menos 10 reféns por cada novo dia de cessar-fogo, enquanto Israel precisaria soltar pelo menos 30 palestinos.

Já na noite desta quarta, porém, o Hamas afirmou que "os esforços para estender a trégua ainda não amadureceram" e que a oferta feita por Israel "não foi considerada digna de avaliação".

A declaração foi dada por Osama Hamdan, alto funcionário do Hamas no Líbano, ao canal de Hezbollah Al-Madayeen, segundo o Times of Israel.

Se não for alcançado um acordo para uma segunda prorrogação, a trégua expira na quinta-feira pela manhã..

Em meio às negociações, os ministros das Relações Exteriores do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido) divulgaram um comunicado em que elogiam a libertação de alguns reféns sequestrados em 7 de outubro, mas exigem a soltura "imediata e incondicional" de todos os outros raptados.

Já o papa Francisco fez um novo apelo por paz nesta quarta-feira e pediu que a trégua seja prorrogada, "de modo que todos os reféns sejam liberados e que seja permitido o acesso a ajudas humanitárias".

"Falei com a paróquia local, e falta água, pão, as pessoas sofrem. São as pessoas do povo que sofrem, e não aquelas que fazem a guerra", acrescentou o pontífice em sua audiência geral.

A guerra foi deflagrada após os atentados sem precedentes cometidos pelo Hamas em Israel em 7 de outubro, que deixaram 1,2 mil mortos, em sua maioria civis. Desde então, a resposta israelense já fez quase 15 mil vítimas na Faixa de Gaza, incluindo 6,5 mil crianças e 4 mil mulheres.

Reféns

O Hamas afirmou estar pronto para trocar todos os soldados israelenses prisioneiros por todos os palestinos detidos nas prisões de Israel.

A declaração foi dada por Bassem Naim, alto funcionário do Hamas e ex-ministro da Saúde da Faixa de Gaza, durante uma coletiva de imprensa na Cidade do Cabo, na África do Sul.

Netanyahu promete guerra

O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, assegurou nesta quarta-feira que o país voltará a entrar em guerra com o Hamas após essa etapa de libertação de reféns sequestrados pelo grupo fundamentalista.

"A minha resposta é inequivocamente sim. Não há possibilidade de não voltar a combater até o fim", disse o primeiro-ministro ao ser questionado sobre o assunto.

"Essa é a minha política, todo o governo apoia essa posição, assim como os militares e o povo", acrescentou.

Itália

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta quarta-feira (29) que é importante combater o terrorismo no Oriente Médio, mas que é preciso respeitar o direito internacional.

“Israel deve evitar não respeitar as regras internacionais, mesmo durante a guerra, e é necessário conter a agressividade dos colonos israelenses na Cisjordânia. Ao mesmo tempo, é crucial combater o terrorismo e garantir que Israel possa continuar a existir", disse o chanceler à margem do fórum da Unesco, em Nápoles.

"Nós carregamos a responsabilidade do Holocausto e não podemos pensar que Israel não tenha um território onde possa viver em democracia. No entanto, também precisamos garantir que os palestinos possam viver em paz. Em muitos lugares do mundo, árabes, cristãos e judeus vivem em paz, e isso também pode ser feito no local onde esse objetivo existe há 70 anos e ainda não foi alcançado”, afirmou o chefe da diplomacia do país.

"A lógica é a de dois povos, dois Estados, não há outra solução, concordamos todos nisso. Precisamos seguir em frente. Qual é a alternativa? Apagar Israel, como alguns dizem? Ou apagar o povo palestino? Estou falando de uma solução sensata", acrescentou Tajani.

"Sabemos que há quem não queira essa solução sensata, porque quando chegamos ao momento de distensão entre o mundo árabe e Israel, algo acontece. O Hamas lançou milhares de mísseis contra Israel enquanto um acordo com a Arábia Saudita estava sendo alcançado”, disse.

"O ataque do Hamas foi feito para sabotar isso. O Hamas é uma organização terrorista que deve ser expulsa da Faixa de Gaza. É necessário neutralizar as bases de onde partem os mísseis contra Israel, lançados contra a população e não contra as bases militares”, concluiu.

(ANSA)