Número de mortos em Gaza supera marca de 16 mil

Total chegou a 16.248; Israel relata 80 soldados mortos na Faixa

Palestino procuram corpos entre escombros ao sul da Faixa de Gaza (foto: ANSA)
Palestino procuram corpos entre escombros ao sul da Faixa de Gaza (foto: ANSA)

(ANSA) - O Hamas anunciou um novo balanço de vítimas do conflito iniciado com os ataques de 7 de outubro.

Nesta terça-feira (5), o número de mortes registradas em Gaza chegou a 16.248.

Já Israel anunciou a morte em combate em Gaza de outros dois soldados. O total de militares mortos desde o início da operação por terra na Faixa chegou, portanto, a 80.

Com a intensificação dos ataques após o fim da trégua para a troca de reféns israelenses do Hamas por prisioneiros palestinos de Israel, a Organização das Nações Unidas afirmou que "é impossível" implementar áreas seguras para que os civis da Faixa de Gaza possam se refugiar dos combates.

"Essas áreas não podem ser nem seguras nem humanitárias se forem declaradas unilateralmente", afirmou James Elder, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), depois de alguns dias em território palestino.

Já a coordenadora humanitária da ONU, Lynn Hastings, disse que "as condições necessárias para levar ajuda à população de Gaza não existem".

"Se é que é possível, está se abrindo um cenário ainda mais infernal, em que as operações humanitárias poderiam não ser capazes de responder", afirmou.

Diante de pressões, o gabinete de guerra israelense, presidido pelo premiê Benjamin Netanyahu, encontrará nesta terça as famílias dos reféns ainda mantidos pelo Hamas.

Na segunda (4), as famílias pediram que o gabinete retomasse imediatamente as tratativas com o Hamas, "sem atrasos e a todo custo".

"A Faixa de Gaza deve ser desmilitarizada, e apenas o exército israelense pode garantir isso, declarou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, referindo-se ao destino do enclave palestino ao término da guerra.

"Não aceitarei qualquer acordo que preveja a presença de uma força internacional no local," afirmou.

O vice-diretor do Schneider Children's Medical Center of Israel, primeiro e maior hospital pediátrico de Israel e do Oriente Médio, Omer Niv, afirmou à ANSA que algumas crianças raptadas pelo Hamas sofreram abusos sexuais.

"Eles não estão entre as crianças que estamos tratando aqui, estão em uma das outras instalações médicas que cuidaram dos menores reféns após sua libertação", disse ele, revelando que 19 crianças libertadas ainda estão no instituto.

"Eles são como fantasmas. Sofrem de depressão grave e profunda, ficam tristes, andam devagar, não querem sair da sala, caem no choro se veem um estranho, têm medo, mastigam a comida devagar , eles temem todo barulho", contou.

Para o tratamento, segundo ele, as equipes precisam recorrer à tentativa e erro.

"Não há exemplos na literatura científica em que crianças pequenas, de 2, 3, 4 anos, tenham sido sequestradas, em condições de higiene extremas, separadas dos pais, mal alimentadas, torturadas com notícias falsas. Nunca houve terapia para esses danos. Porque nada parecido com isso jamais aconteceu na história da humanidade" disse.

Da Itália, dois aviões militares chegaram nesta terça ao aeroporto de Al Arish, no Egito, levando a bordo homens e veículos, rumo à Faixa de Gaza.

O objetivo é avaliar a possibilidade de implementar um hospital de campanha para a população palestina.

A hipótese está sendo estudada há algumas semanas, mas ainda está em fase inicial. (ANSA).